dodô

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20 agosto 2010

terça no Tutti: menu ao Bachelorette, de Björk e Michel Gondry

O menu vai pra um videoclipe essa semana.
Esse clipe dá muito pano pra manga, mas eu queria falar dele de um ponto de vista que tem relação com a nossa comida. É, “senta que lá vem história”, ou quem não quiser história passa direto pro menu.
Bom, esse dias tive uma tarde mimimi, era uma tarde de chuvinha, eu tava meio longe, voltando pra casa, pensando na janta (óbvio!) e como eu tava mimimi, queria comer comida alheia. O Damask, que é meu vizinho bom, tava fechado, e eu não consegui ver nada que não fosse trash food, nem pelas várias portas da Cidade Baixa, nem no mercado. (ah, agora que me dei conta de que podia ter tentado o Fofa, que várias pessoas já recomendaram!)
E não sei quando nem por onde, lembrei desse clipe, disso da coisa ir se desdobrando nessas camadas, virando uma espécie de imitação de si mesmas. E vi nesse dia pelo caminho só essas comidas imitações de comidas! Foi meio triste, e como cozinheira que nutre um profundo respeito pelo material, achei que tinha que fazer alguma coisa mais útil do que servir-lhes uma refeição uma vez por semana; então gostaria de dizer-lhes duas palavrinhas:
A primeira palavrinha é um apelo: pense no que vocês estão comendo! De onde veio a comida tentando imaginar tudo o que ela passou, porque toda a história dela está ali no prato. Algumas coisas simplesmente estão a um passo de virar plástico: salsicha, margarina. Não sei se alguém já viu, mas tem gente que coleciona Big Macs, e eles depois de anos não apodrecem! Estou falando de MacDonalds só porque é o mais óbvio, mas conservantes não é luxo só deles.

E muitos bichos que a gente come, que não tem a chance de ver o sol, não tem pasto, fica confinado, como é que um bicho fica saudável assim? Qual a qualidade da carne de um porco que nem vê a luz do sol? E nem nunca viu a mãe mas, tá, também vou tentar não mergulhar no romantismo.

Aliás, pensar na história do seu alimento não precisa ter ser só o tom trágico, pois. Tenho um exemplo dum texto do Italo Calvino aqui
http://cadernodecozinha.blogspot.com/2008/09/pessoal-se-tivesse-um-pouco-mais-de.html
O Big Bang provocado pela imagem de um tagliatelle!
O Italo Calvino sempre salva o dia!

A segunda palavrinha é mais prática: no Mercado Público por exemplo tem diversas bancas com tanta coisa boa: frutas secas, conservas, castanhas, queijos; dá pra fazer uma comprinha dessas gostosuras, muitas delas duram bastante, os queijos podem ser congelados. Deixa na despensa também uns pacotes de Barilla e um azeite bem bom. Pronto! Não precisa pedir pizza hoje! Nem sopão de pacote, urgh!

Mas chega de palavrinhas!
Vamos ao menu Bachelorette, que é pra isso que estamos aqui, não?
E o menu goes to:
Lasanha!

Camadas desdobrando-se em massa caseira e legumes, natureza colorida e suave.
Com molho branco. E já que vamos homenagear o Michel Gondry e a Björk, ambos de trabalho primoroso, bem cuidado que dá gosto, o molho branco será totalmente comme Il faut: com cebola picada de cravos aromatizando o leite. Farinha puxada na manteiga até o limite entre o cozido e o branco, e depois o leite, incorporado bem devagar, tudo cozinhando no fogo doce, doce, sempre mexendo, até depois de o fogo apagado. Mexendo até esfriar de volta, pra não formar nata. Prometo!
Uma iguaria tradicional do país da Björk é Hákarl, tubarão podre. Não vou usar tubarão podre na nossa lasanha, que segundo a Wikipédia até os próprios islandeses têm dificuldade de comer; mas vamos usar um leite bem podre bem bom: gorgonzola!
E ficamos assim: lasanha de legumes com gorgonzola.

Náttúra!

Aqui tem mais sobre o processo de Bachelorette
http://unit.bjork.com/specials/gh/SUB-05/index.htm
e aqui tem mais Björk com Michel Gondry
http://www.youtube.com/watch?v=BML2JAFUIaw&feature=related


Beijo,

Aline

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