dodô

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15 fevereiro 2009

Alimento para os Olhos: Festa de Babette


"Mesa posta. A câmera de Axel movimenta-se captando os convivas em conjunto e isoladamente. No semblante dos convidados a revelação da sua apreensão interior. Nos fiéis o temor do pecado. No general as lembranças do passado, a desconfiança da comida sem o prazer da mesa.
O serviço é francês. Os pratos foram servidos um de cada vez, seguindo rigorosamente a indicação de Grimod de la Reyniére: cada prato deve ser o centro único em torno do qual gravitam todos os apetites. De início, a sopa de tartaruga; a câmera revela, em primeiro plano, a surpresa e a satisfação do general ao degustá-la. Acompanhou as primeiras entradas um amontillado, vinho Jerez de cor âmbar, seco e fortificado, de origem espanhola. O fecho das entradas foi o “Blinis Demidoff”, que leva o general ao quase êxtase, além do espanto ao verificar que ao seu redor nenhum dos convivas demonstrava a menor emoção. Acompanhou o prato um Champagne Veuve Cliquot 1860. Pelo semblante do general, ao sorver os primeiros goles, esse vinho era de uma safra excepcional.
Ao observar que tinha à mesa um apreciador, Babette orienta ao seu ajudante de serviço cuidados especiais com o general. Seu copo não devia ficar vazio. Tinha naquele conviva de última hora, a oportunidade do reconhecimento cabal da força de sua magia. Nada mais conveniente do que citar o aforismo de Brillat-Savarin: “Os animais pastam, o homem come: apenas o homem de espírito sabe comer”."

Pedro Vicente Costa Sobrinho
Esse é só um pedacinho do texto nutritivo que pode ser lido aqui
dele também tem um ótimo sobre
O Cozinheiro, O Ladrão, Sua Mulher e o Amante

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