01 abril 2020

Lua em Câncer, Mercúrio em Peixes



                 Ontem, quando me dei conta de que poderia usar os temperos para os horóscopos, já que há uma grande restrição aos ingredientes para cozinhar, senti a Lua em Câncer e me perguntei qual o tempero mais confortativo, de colo de mãe. E está ali em trígono, esse Mercúrio com uma facilidade pra acessar as informações diluídas no inconsciente coletivo, e a resposta foi pronta: a canela.
                 Mingau, arroz doce, chá. Falta muito pra festa junina?

                 Então fui assistir Gabriela, que tem perfume de cravo e cor de canela. O que não é esse trígono!: criatura desmemoriada que sou, lembrei dos nomes dos atores (olha eles tão novinhos!), ri dos cabelos muito anos 80 num filme que se passa na década de 1920, fiquei com raiva do machismo, do coronelismo, da nova política "que vai ser igual, só que diferente". No fim das contas, a verdade é que me senti confortada. Nunca acreditei em passado idílico, não vai ser agora. Passado idílico é uma cilada, Bino!

                 A saudade pode te ajudar a manter seu centro, algo tão precisoso nesse momento caótico, mas por favor cuidado pra não se afogar.

                 Vê esse trechinho do Jorge Amado:

                 "A verdade é que já sentia saudade dela, de sua limpeza, do café da manhã com cuscuz de milho, batata-doce, banana-da-terra frita, beijus..."

                 Nesse momento Nacib não pensava na Gabriela; a saudade era da cozinheira que o abandonou antes, e é por isso e só por isso que busca uma cozinheira nova e encontra Gabriela e o resto é assunto de Vênus.

                 Vênus faz um sextil duplo, com a Lua e Mercúrio. Se acomode e encontre o que realmente é importante pra você.
                 A Lua quadrou o Sol e entrou na sua fase colérica. O temperamento colérico é otimismo e coragem. Se acomode, mas pra pegar impulso.


29 março 2020

Lua em Gêmeos trígono Saturno em Aquário


                 A Lua, quando em Touro, passou por um benéfico debilitado e um maléfico exaltado. Nutriu como pôde, pois em trígono e na ótima companhia de Vênus. Eu ontem comi, de novo, polenta com, de novo, brotos germinados aqui em casa, como são delicinhas! Nunca me esquecerei dessa relação da brotação com o Sol Invictus, é um espetáculo tanto quanto.
                 Hoje a Lua está em Gêmeos e estou achando engraçada a expressão "de novo" para algo que se repete. Alguém me explica? Saturno em Aquário explica?
                 Já ganhei tanta coisa linda em palavras, todo tipo de coisa, conceituais, afetivas, espantosas, revoltantes, confortantes, incompreensíveis... Já ganhei muita receita, claro. Amo. No Dodô de Curitiba coloquei várias nas paredes. A comida funciona por trocas. Mesmo agora, privados de compartilhar a mesa, compartilhamos ideias e experimentamos esse fazer com o próprio corpo. E a gente vai aprendendo a lidar com a nossa próxima ferramenta: cozinhar para não depender de uma indústria que não necessariamente pensa no nosso bem.

                 "Na vida real, receitas, como histórias, são transmitidas com a intenção de se tornarem a substância de uma tradição, aproximando as pessoas no companheirismo e na mútua apreciação." 
(Eve Jackson)





20 março 2020

Ano Novo


                 O Sol se exaltou! Vira a página, é tempo de começo, de sentir a vida! Ironicamente vírus também é uma forma de vida e é flagrante que não podemos ignorá-la. Áries e Virgem fazem antíscia, ela que sempre olha pras ações que acontecem também dentro do nosso corpo. O sistema imunológico - a nossa defesa - é de Marte. É pra ele que se voltam nossos olhares nesses dias, não?
E agora, pro Sol, nosso luminar vital, nossa fonte de otimismo e de confiança.

                 Usei a cúrcuma pra pintar o arroz. A cúrcuma fresca, como o Sol, também é radiante: da cor dela ficaram, além do arroz, a faca, a panela, a tábua, a mão, o ralador. Pode-se usar em pó também, com mais controle.

                Passei as rodelas de limão e laranja em uma frigideira quente com um tiquinho de óleo. Mas reguei com um pouco dos sucos crus no final, pra ter uma acidez bem fresca. Mais um pouco de acidez no gengibre em conserva e por fim brotinhos de coentro. Os brotinhos têm a potência o frescor arianos.

Todos nós temos.
Feliz ano novo



18 março 2020

Parmentier



                 "A invenção não nasce apenas do luxo e do poder, mas também da necessidade e da pobreza - e esse é, no fundo, o fascínio da história alimentar; descobrir como os homens, com o trabalho e com a fantasia, procuraram transformar as mordidas da fome e as angústias da penúria em potenciais oportunidades de prazer." 
(Montanari)

                 A Lua, exilada mas nutrida do trígono com a Vênus domiciliada nas potenciais oportunidades de prazer encontra a necessidade, a pobreza, a guerra. Escolhi esse momento exato de conjunção com Júpiter pra contarmos - Lua exilada, Júpiter em queda, Mercúrio exilado e em queda e Tom Standage (autor de Uma história comestível da humanidade) e eu - uma história bastante impressionante sobre a Batata, que era domiciliada e exaltada na América, cultivada principalmente pelos Incas até que se viu na Europa, exilada, em queda, desmoralizada, foi acusada inclusive  de transmitir lepra, tuberculose, e várias outras injúrias.
                 Assim foi até que, na Guerra dos Sete Anos, o cientista Antoine-Augustin Parmentier foi capturado pelos prussianos, passou três anos na prisão, e durante grande parte desse tempo só lhe deram batatas para comer. Quando a guerra terminou e ele voltou à França, tornou-se um eloquente defensor da batata. Em 1770 foi oferecido um prêmio para o melhor ensaio sobre gêneros alimentícios capazes de reduzir as calamidades da fome; Parmentier foi o vencedor, com um elogio às batatas. Embora ainda houvesse uma crença generalizada de que elas eram venenosas e podiam causar doenças, em 1771 Parmentier ganhou o respaldo do corpo docente médico da Sorbonne, que decidiu que a batata era realmente apropriada para o consumo humano. Pouco depois, Parmentier publicou uma detalhada análise científica dos méritos daquele alimento. Mas o apoio em meio à comunidade científica era uma coisa; após anos de esforço, Parmentier descobriu que convencer as pessoas a cultivar e a comer batatas era outra muito diferente."

                 Isso contou Júpiter à Lua. E continuam a conversa, com o perfume venusiano que insiste em vir pelo trígono.

                 "Diante disso, ele organizou uma série de eventos publicitários. Em 1785, num banquete para celebrar o aniversário de Luís XVI, Parmentier presenteou o rei e a rainha com um buquê de flores de batata; o rei prendeu uma das flores na lapela e Maria Antonieta pôs uma guirlanda delas no cabelo. Quando os convidados se sentaram para comer, vários dos pratos incluíam batatas. Com o endosso do rei e da rainha, comer batatas e usar flores dessa planta logo se tornaram moda na aristocracia. Parmentier também promoveu ele mesmo vários jantares, servindo batatas preparadas numa variedade de maneiras para enfatizar sua versatilidade. (O estadista e cientista americano Benjamin Franklin estava entre as celebridades convidadas para esses eventos.)" lembra Saturno atento às raízes do poder.

                 Agora entra Mercúrio, que está em Peixes mas com os pés no chão:

                 "O melhor truque de Parmentier, contudo, foi postar guardas armados em torno dos campos próximos de Paris, dados a ele pelo rei, em que cultivava batatas. Isso despertou o interesse dos moradores das vizinhanças, que perguntavam a si mesmos que planta valiosa poderia requerer tais medidas de segurança. Quando uma safra ficou madura, Parmentier mandou os guardas se afastarem; a gente do lugar invadiu o campo correndo e roubou as batatas."

                 "Quando a hostilidade em relação ao tubérculo finalmente se dissipou, consta que o rei teria dito a Parmentier: A França lhe agradecerá algum dia por ter encontrado pão para os pobres. Foi somente alguns anos mais tarde, depois da Revolução Francesa (durante a qual Luís XVI e Maria Antonieta foram guilhotinados), que a previsão do rei se confirmou. Em 1802, Napoleão Bonaparte instituiu a ordem da Légion d'Honneur, e Parmentier foi um dos primeiros a recebê-la. O serviço que prestou à batata é lembrado hoje na forma de vários pratos baseados em batata que levam seu nome." Completa a Lua.

05 março 2020

Happiness is a warm gun


                 Quinta feira, a Lua em Câncer quer aquele #tbt

                 — Passado não volta não, e só faz pesar a caminhada!, diz o coro em Capricórnio bem de frente pro portão dela. A gente sabe que não volta, mas passado ensina umas coisas que nutrem o presente e o futuro, e quando a gente repete uma comida do passado, recontextualiza e ressignifica - termo que está mais em voga - as lembranças. Acredito que isso lhes dê leveza.

                 Marte, o mais exaltado da gangue, com sangue no zóio de cabrito, é veemente: Happiness is a warm gun! Felicidade é o cano da arma ainda quente do tiro.

                 A Vênus cutuca a Lua por sextil e dá um sorriso beeem malicioso: John Lennon cantou essa mesma frase dududurururu oh yeah.

                 Hoje Vênus também acabou de chegar em casa. Seu lar que exalta a Lua, lar das gostosuras sensorial. No corre da passagem por Áries aproveitou pra fazer umas compras: arroz arbóreo, castanha de caju, vinho branco, limão siciliano, que perfume tão bom que ele tem! Vênus passa a exaltar a Lua e quer comida úmida, branca e suculenta, pois está em Touro afinal. Mas como traz no corpo quente a lembrança de ontem - quando quadrava e estava sob a regência deste mesmo Marte exaltado - também traz acidez, no vinho e no limão.  E a castanha de caju, não parece um  ̶c̶l̶i̶t̶ó̶  gatilho?

                 Bang, bang, shoot, shoot

04 março 2020

Júpiter em Capricórnio




                 Que bom esse barulhinho de ficha caindo!

                 Estudo Astrologia há uns dois anos, na época Saturno chegou a Capricórnio e está lá até hoje; Júpiter também só deu um passinho, estava em Escorpião e logo chegou a Sagitário e ali ficou um bom o tempo, domiciliado, relinchando felizão.
                 De repente Júpiter cai e "Óh meu Zeus" e eu, novata, fico quebrando a cabeça e tentando perceber alguma coisa, pra apreender mesmo, juntar a vida que me cerca com o que vejo nos escritos.
Por exemplo, um dos aforismos de Hermes diz que "Júpiter dissolve a malícia de Saturno". Mas e em queda, disposto pelo próprio Saturno domiciliado, como isso acontece? Ou ainda: isso acontece?

                 Então vi essa foto. Coisas de Lua em Câncer.
                 O prato de nhoque com o dinheiro embaixo.
                 No Dodô em Curitiba tinha sempre nhoque da fortuna nos dias 29.
 

                 De algum lugar da internet: "Conta a lenda que São Pantaleão, numa distante noite de 29 de dezembro do século IV, perambulava, maltrapilho, por um vilarejo da Itália. Faminto, bateu à porta de uma casa. A família, numerosa, não tinha comida sobrando, mas, apesar disso, o patriarca fez questão de dividir o pouco que havia para o jantar com o desconhecido. A família, reunida em torno de uma grande e pobre mesa, comeria nhoque. E, ao dividi-lo com São Pantaleão, cada um dos filhos e filhas do dono da casa (além dele próprio e da esposa) teve de se contentar com sete pedacinhos de massa. São Pantaleão comeu, agradeceu a acolhida e se foi. Só quando recolhia os pratos da mesa é que o patriarca descobriu que, embaixo de cada um deles, havia bastante dinheiro."
                 O nhoque de então era uma bolinha de farinha com água.

                 Hoje a gente faz nhoque fofinho com batata, com ovo (ou psilium); hoje a gente olha pra religião com um pouco mais de desconfiança e tem nessas tradições uma superstição divertida. Que seja. Hoje com Júpiter em Capricórnio o que me chama a atenção é a imagem da generosidade mesmo na miséria, e, hoje, a fé no ritual, que no fundo todo mundo espera sim que seu dinheirinhho se multiplique.

foto da Karla Gironda

01 março 2020

Horóscopo do dia


                 Amigx virginianx do terceiro decanato. Ou ainda, amigx que leva algum planeta nos últimos graus da Virgem, nos termos de Saturno, gostaria de dividir com você o alerta que recebi da minha Astróloga.
- Mercúrio, regente do planeta que estiver em Virgem, está exilado, em queda e retrógrado. Resumindo: tá mal.
- Saturno está a 28° de Capricórnio, a Lua passa pela estrela fixa Algol a 26° fechando com o planeta em Virgem um melancólico triângulo de terra.
- Benéfica exilada, benéfico em queda. Ambos dipostos por um deus da guerra exaltado.

                 Caro virgo, não tenho como dar-te palavras de conforto. Mas, como gosto de pensar a comida como amuleto, te convido a fazer uma refeição que faça a gente equilibrar, ou talvez entender essa configuração. Entender já é bom, já que estamos falando sobre a o temperamento melancólico, da terra. Entender para criar estratégias com o que se tem. 


                 Eu encontrei mandioca na feira e achei perfeito! Quem vai falar mais da terra do que uma raiz? Depois dos meses em que ela se desenvolve escondida, pode ser colhida e preparada. Então a mandioca pode trazer elementos que equilibram a melancolia: se ela for cozida, a umidade e a maciez; se for frita ela traz o temperamento mais jupiteriano, sanguíneo, ambas muito confortativas. Comida confortativa é muito coisa da Lua exaltada em Touro.
                 Assim vai tudo muito bem até que a Lua exaltada encontra Algol, e lembra que a Medusa exaltou tanto a sua paixão por Netuno que perdeu a sanidade, perdeu a cabeça. Hoje Lua e Mercúrio se escutam, nessa situação. Mantenha os pés no chão.
                 Se na pior situação, lembre que a morte da Medusa deixou benesses: Pégasus (e dele a fonte Hipocrene, frequentada pelas Musas), Crisaor, e sua cabeça foi usada por Perseu em atos heroicos.
                 A morte de Maní também. Maní era uma indiazinha muito estimada pela tribo tupi onde vivia. Sua morte trouxe a mandioca que alimentou e nos alimenta até hoje. E que, como a Medusa, pode ser perigosa pois há espécies venenosas de mandioca. Com isso não se preocupe: a dedicação melancólica sobre os métodos do seu preparo nos mantém a salvo. E cria outras maneiras de consumo e conservação, como a farinha.

                 Aqui mesmo, no nosso pratinho de mandioca cozida, a farinha de bijú que foi tostada na manteiga vegetal pra dar uma securinha pra mastigar.
                 No nosso pratinho-amuleto também coloquei um molho de pimenta bem ácido. Isso vai fazer a ponte com a maciez confortativa que a gente procura e ao mesmo tempo dar sentido à pungência que a gente vai sentir nesse dia. Porque pode acontecer, amigx virginianx do terceiro decanato ou que leva planeta nos últimos graus da Virgem nos termos de Saturno. Aliás, o Sal grosso só quebrado também lembra das securas da vida. O ceú é um eterno "É o que temos" mas às vezes a gente se distrai com deleites e nem se dá conta disso. Hoje a gente olha com resignação o que tem e tenta tirar o melhor proveito disso.

 

27 fevereiro 2020

Aos Vencedores, as Batatas ao murro


                 Lua com Vênus em tons vibrantes, é Áries! Coléricas: quentes, secas, incisivas, voluntariosas.  Exaltam o Sol - agora em Peixes - e ao mesmo tempo servem a Marte que está na sua exaltação:
                 Aos Vencedores, as Batatas! pintadas de faz-de-conta-que-é-ouro, mas é cúrcuma.

                 A batata é associada à terra por ser um tubérculo, mas tão crocante aquosa, pertinente pra tentar apreender o sextil entre Peixes e Capricórnio.
                 Também a cúrcuma, um rizoma: se desenvolve embaixo da terra e seus brotos podem ramificar-se em qualquer ponto, assim como engrossar e transformar-se em um bulbo ou tubérculo; o rizoma tanto pode funcionar como raiz, talo ou ramo, independente de sua localização na figura da planta.¹ O que é uma maneira bastante pisciana de se desenvolver.

                 Júpiter, regente do signo de Peixes, está sitiado entre os maléficos. A Lua e Vênus fazem uma quadratura a eles, a Lua quase sem luz, trazendo a impressão da recém quadratura partil com Júpiter:
                 — Quando estou com a raiz na mão, a especiaria fala comigo. Sua voz parece a tarde, o começo do mundo.
                 — Sou a cúrcuma que saiu do oceano de leite, quando os devas e os asuras agitavam o líquido para extrair os tesouros do universo. Sou a cúrcuma que veio depois do néctar e antes do veneno, e portanto está entre os dois.
                 — Sim, murmuro, balançando no seu ritmo. Sim. És a cúrcuma, escudo para a tristeza, bálsamo para a morte, esperança para o renascer.



1:. wikipedia
2:. Chitra Divakaruni. A Senhora das Especiarias

23 fevereiro 2020

Lua nova em Peixes


                 Lua nova em Peixes. Parece amorzinho? Olhe de novo. Olhe pros regentes: Vênus em Áries, Júpiter em Capricórnio, Marte que dispõe ambos também em Capricórnio, exaltado! No fim de contas está meio seco esse contexto. Marte num sextil partil com os luminares sugere a faca. Acatamos.
                 Vamos usar essa disposição para fazer um fundo de base, bem tradicional, com sobrenome e tudo. Base soa como Capricórnio, tradicional mais ainda com Saturno ali também; o fundo espalha e mistura os sabores, de modo bem pisciano. E a gente aproveita e coloca um pouco mais de água na coisa toda, assim no Céu como na Terra.

                 Faca afiada bem mãos, uma tábua bem apoiada e picamos cenoura, cebola e salsão. Isso é um Mirepoix.

                 "Uma criação do duque de Lévis-Mirepoix, militar de grande coragem, marechal dos exércitos de Luís XV e também seu embaixador. Trata-se de um glorioso refogado de fundo, excelente para os assados ou ensopados."*

                 Para um fundo clássico de vegetais aquecemos uma panela em fogo baixo, colocamos uma gordura, louro, tomilho e o mirepoix. Mantemos em fogo baixo, os vegetais devem perder água lentamente e não fritar. Se você quiser um fundo muito claro, não coloque a cenoura, e se você quiser um fundo mais escuro, pode aumentar o fogo quando os vegetais estiverem bem murchinhos. Ou mantenha assim só suandinho em fogo baixo. Acrescentamos água fria, e ali ele fica, nesse mar de trocas piscianas, e quente já que a Vênus está on fire!




*in: LANCELLOTTI, Sílvio. O livro da cozinha clássica: a história das receitas mais famosas da história, pág 24


18 fevereiro 2020

O sal é um dom


                 Lua, Marte, Júpiter, Saturno em Capricórnio. Vai chover granito. Humor saturnino dando o tom do dia, até engasguei aqui. Secura.
   
                 A qualidade seca restringe a vida e as mudanças, é rígida, dificulta mesmo a empatia. Uma qualidade, pensando na cozinha, é a conservação. Alimentos desidratados é uma imagem muito clara. As geleias também fazem  a fruta perder a umidade tanto pela evaporação quanto pela adição de açúcar. Também as conservas de sal. Um ingrediente que você massageia com sal muda muito.
O Sal, frio, seco, duro, pedra, temperamento melancólico, conservante. Sal é bom, sal é ruim. Sal é Saturno.

                 Semana passada comprei um livro de receitas. Receitas da saturnina dona Canô, que traz no texto de apresentação:

"Todos nós, filhos e netos, tínhamos o hábito de perguntar a mãe Canô quais os ingredientes, os temperos, o modo de fazer um prato. O telefone nos salvava quando ela não estava por perto. (...) Certa vez, Bob copiou uma receita e, no final da ligação São Paulo X Santo Amaro, perguntou: 'Mãe, e o sal?" E veio a resposta temperada: "Ah! Meu filho, o sal é um dom.'
(nunca de mais, nunca de menos)"


pratinho Saturno http://mfalcao.iluria.com/

13 fevereiro 2020

Luminares num trígono em signos de Ar


                 Sol e Lua estão em signos de Ar, formando um trígono. A Lua conjunta a Spica e seu pezinho na terra, o ramo de trigo na mão e os cabelos ao vento. Em dia de Lua com Spica a gente faz pão: molha a farinha, coloca a levedura e dá um ambiente bom pra elas se desenvolverem.
                 A gente pode olhar pro pão e ver um alimento tão simples, até banal. Mas escute Saturno, ouça o Sol contar sobre as invenções humanas:
                 O pão é o marco da civilização!*
                 Foi na fermentação que a humanidade criou algo que não existe na natureza. O pão que, com  todo o processo do cultivo do grão e o controle da fermentação, assinala a diferença entre Natureza e Cultura, e ‘serve para distinguir a identidade das bestas daquela dos homens’.*
                 Lua no signo cardinal do Ar: o ambiente quente e úmido promove a proliferação da vida, e é do dióxido de carbono liberado pelas bactérias do fermento que o pão levanta.
                 A Lua também faz quadraturas  planetas  em  Capricórnio, se opõe a Vênus que está em Áries, faz um sextil com Marte, o que também não é nada agradável ou pacífico. É ir pro forno secar. É no calor do forno que a estrutura do glúten se solidifica, a casca crocante se forma.
                 Então, o ar fixo. O ar preso nos alvéolos. Não precisa ser uma caverna enorme, mesmo os pequeninos alvéolos guardam neles o perfume que se espalha quando o pão é cortado, quando a gente dá a mordida.