dodô

dodô

02 novembro 2016

Alimento para os Olhos: Foodscans de Hargreaves + Levin


















Falsa Sopa de Falsa Tartaruga



A Falsa Tartaruga suspirou profundamente e começou, numa voz que às vezes se confundia com soluços, cantando assim:


"Sopa formosa, de ervilha e quirera

que no caldeirão nos espera

oh quem me dera, tão apetitosa!

Meu reino por uma sopa tão formosa!

Formo-oh-oh-sa sopa

Formo-oh-oh-sa sopa

So-o-pa da tarde, oh que formo-oh-sa sopa

Formosa, formosa sopa."



"O refrão mais uma vez"", berrou o Grifo, e a Falsa Tartaruga já tinha começado a repetir quando se ouviu a distância um grito anunciando que o julgamento ia começar.

"Venha comigo!", gritou o Grifo e, pegando Alice pela mão, saiu em disparada, sem ao menos esperar a música terminar.

"Que julgamento é esse?", perguntou Alice enquanto corriam, mas o Grifo apenas respondeu: "Venha comigo!", e correu mais e mais depressa, e cada vez mais ao longe ouviam-se as palavras melancólicas queo vento trazia:

"So-o-pa da tarde, oh que formo-oh-sa sopa

Formosa, formosa sopa."


Quando eles chegaram, o Rei e a Rainha estavam sentado sem seus tronos, com uma grande multidão ao redor. O Valete ra o réu e diante do Rei estava o Coelho Branco com um trompete em uma das mãoes e um rolo de pergameinho na outra.

"Arauto! Leia a acusação!", disse o Rei.

Nesse instante, o Coelho Branco soprou três vezes o trompete, desenrolou o pergaminho e leu o seguinte:

"A Rainha de Copas assou umas tortas

num dia quente de verão.

O Valete de Copas roubou as tais tortas

e agora, onde é que estarão?"

"Agora vamos às provas", disse o Rei, "e depois à sentença."

"Não", disse a Rainha. "Primeiro a sentença, e depois as provas."


in: CARROLL, Lewis. Aventuras de Alice no Subterrâneo. São Paulo: Abril Educação, 2013. pag 87-88






Tartaruga Fingida (no original em inglês: Mock-Turtle): É uma triste vítima do destino, pois foi em tempos uma tartaruga de verdade que vivia no mar. O nome tem origem na Sopa de Tartaruga Fingida (no original em inglês: Mock-Turtle Soup) vulgar na Inglaterra, sendo um caldo verde feito com cabeça de vitela de modo a imitar sopa de tartaruga. Daí Tenniel ter ilustrado esta figura com uma cabeça de bezerro, cauda e pernas. (daqui)


Mas a tradução do meu livro em português já deu a solução prontinha pra nossa sopa.

Como vi em outro site: , gluten-free option, animal-hair-free, brain-free

Isso porque a Sopa da Falsa Tartaruga é feita com a cabeça da vitela com cérebro, pelos e tudo!

Obrigada, senhor tradutor!

 


Sopa formosa, de ervilha e quirera

1. deixei de molho 1/2 xícara de quirera;

2. em uma panela, refoguei meia cebola pequena em óleo de girassol, em fogo baixo;

3. acrescentei caldo de legumes, a quirera, 4 dentes de alho e meio chuchu pequeno cortado em cubinhos;

4. em outra panela, refoguei e cozinhei 1 1/2 xícara de ervilha fresca com a outra metade da cebola. Fiz essa operação separadamente porque não costumo ter ervilhas frescas e não sabia quanto tempo de cozimento seria ideal;

5. juntei tudo e temperei com 1 cc de estragão seco, cebolinha picada e sal piquín


 

27 outubro 2016

Alimento para os Olhos: Terézia Krnáčová







Casamento



 
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Adélia Prado

16 outubro 2016

Shitake recheado com tofu e shichimi togarashi

Mais uma receitinha simples de tudo, como sugestão para um dos sais. 
Tem mais delas no marcador Oh meus sais! 





1. limpar e tirar os talos de shitakes frescos;
2. refogar os talos, temperar com shichimi e cebolinha (deixei a cebolinha crua nessa parte)
3. passar o tofu por uma peneira de metal ou amassar com um garfo;
4. coloquei os talinhos com cebolinha por baixo do tofu pra ficar mais aparente o sal na foto, mas pode misturar tudo e temperar com mais shichimi!
5. besuntar com óleo (usei o de girassol mas queria tanto que tivesse um de gergelim torrado! - se você tem, recomendo)
6. assar. Eu "assei" em uma frigideira com tampa e ele ficou branquinho (novamente, bom para a foto)
7. servi com arroz com brócolis

12 outubro 2016

Alimento para os Olhos: Soren Solkaer


{lentilha + cebola + alcaparra} de um rabisco

                 Passo bastante tempo lendo receitas e vendo fotos de comidas, e às vezes só faço uma anotação bem rápida de combinações de ingredientes que acho interessantes. E foi assim que um dia desses encontrei este papelzinho:



                 Acho que era de uma receita de salada, mas como estava friozinho, fui por um caminho mais aquecedor:

. deixar a lentilha germinar por uns dias;
. em uma panela, fazer suar e então dourar um pouquinho uma cebola pequena cortada em juliana fina; acrescentar a lentilha e água quente;
. salgar bem pouco porque a alcaparra é salgada. Temperar com pimenta caiena;
. enquanto a lentilha cozinha, tostar uns floretes de couve flor em uma frigideira quente;
. junte tudo, mais as alcaparras e salsinha picada. Agora sim é hora de conferir o sal;
. servir com azeite de oliva.
 



05 outubro 2016

são benedito - 5 de outubro



São Benedito nasceu perto de Messina, na ilha da Sicília, Itália, no ano de 1526. Benedito significa abençoado.(...)
Quando tinha 20 anos foi insultado por causa de sua raça. Porém, com muita calma e paciência suportou tudo. Vendo isso, o líder dos eremitas franciscanos, Frei Jerônimo Lanza, convidou-o para fazer parte da congregação. São Benedito aceitou prontamente, vendeu tudo o que tinha e se tornou um eremita franciscano, ficando com eles por volta de 5 anos.
O Papa Pio IV, desejando unificar a ordem franciscana, ordenou aos eremitas que se juntassem a qualquer ordem religiosa. Benedito foi para o mosteiro da Sicília, um convento em Santa Maria de Jesus. Era o convento dos franciscanos capuchinhos. Benedito entrou como irmão leigo, assumindo uma função tida como secundária: a de cozinheiro. Benedito, porém, fez da cozinha um santuário de oração e fervor. Vivia sempre alegre e com muita mansidão, conquistando a todos com sua comida saborosa e sua simpatia.
(...)
Grande é o numero de milagres de São Benedito, inclusive a ressurreição de dois meninos, a cura de vários cegos e surdos, a multiplicação de peixes e pães, e vários outros milagres. Alguns milagres de multiplicação de alimentos aconteceram na cozinha de São Benedito. Por isso, ele é tido carinhosamente pelo povo como o Santo Protetor da cozinha, dos cozinheiros, contra a fome e a falta de alimentos.

02 outubro 2016

Tomates Verdes Fritos

Ontem vi tomates tão bonitos! Trouxe uns para fazer tomates verdes fritos e testar os sais. Mas no primeiro teste já não consegui mudar mais! Como ficou tão perfeito com o Piquín!!!

Agora precisamos de mais tomates para experimentar com os outros. Tenho certeza que com o Dukkah também vai ficar uma coisa! :D




os tomates verdes fritos são simplesmente tomates - bem verdes! - cortados em rodelas e empanados 
empanei em fubá com um pouco de amido de milho. Coloca um salzinho e pimenta antes de empanar. Na receita original as rodelas são fritas em imersão mas... ui, que preguiça!... Um fio de óleo numa frigideira quente já fazem o trabalho, olha a crostinha morena e crocante!


 

 

29 setembro 2016

Oh, meus sais!



Essa coisa de combinar temperos é realmente mágica.
Quase literalmente se a gente pensa em poções ^^
Sei que o negócio vicia! E como agora não estou mais aí pertinho cozinhando pra vocês, minha proposta é a seguinte:sais temperados, perfeitos pra coisas muito simples, como batata cozida/assada/frita, milho cozido, amendoim e - como não? - pipoca!
Também vou sugerir alguns preparos mais elaborados, mas sabem, o que manda mesmo é o seu nariz e a sua intuição. Tempero é que nem música: fecha os olhos e deixe que ele te leve! Nossa memória olfativa é algo impressionante!


Para seguir as sugestões e os novos sais é só clicar no marcador Oh, meus sais! 





sal piquín

O sal piquín conheci na casa do meu professor de comida mexicana e fiquei muito apaixonada! Tive que mudar um pouco o preparo porque assim é a vida né? Mas o resultado é aquela coisa louca que abre o apetite, queima e refresca ao mesmo tempo, ácido, picante e salgado! Simplesmente sal com pimenta e limão, no melhor estilo “menos é mais”.

A sugestão da foto é com milho verde cozido e coentro em folhas


 



sal com sálvia e laranja


Sálvia é uma planta especial, sou apaixonada desde a primeira vez que vi aquela folha de veludo. E o perfume? Não tem nada nem parecido.





A gente não usa muito né? Eu também não uso tanto assim, sempre penso em algum preparo mais de tempo frio, ensopados, abóbora.. então resolvi dar uma levantada nela escolhi o alto astral da laranja. Elas se deram super bem!

Como na foto, um preparo bem simples, a batata levemente cozida inteira e com casca, e então descascada e em rodelas na frigideira com um pouco de óleo só pra dar uma casquinha.


 


Também ficou incrível num preparo um pouco mais elaborado: pra acompanhar uma fainá, refoguei uma berinjela e juntei com um molho de tomate com alho. Temperei com o salzinho e servi com um agrião super forte. Uau!

Como beterraba com laranja é uma das minhas combinações preferidas, não demorou muito pra se juntarem aqui também. A sálvia dá ainda mais um toque de veludo no risoto,e a laranjinha com a beterraba suave dão muita felicidade

 




sal com shichimi togarashi
 
Eu me lembro de quando conheci shichimi togarashi. O que me chamou atenção foi essa coisa que o piquín também tem: o picante com o cítrico refrescante. Porém... o shichimi tem mais coisa: o gergelim dá um conforto, ou ainda um chão pra gente se apoiar. Além disso, tem a nori ali, dando um complemento de mar, uma brisa de sushi.



Como ilustração de prato pra ele, fui nos legumes salteados





A sugestão é cortar vegetais num tamanho médio e tostar em óleo, em fogo alto, mexendo bastante, para que fique tostadinho por fora mas bem crocante por dentro. Temperar com o sal com shichimi e servir com arroz ou com lamen ou soba. Pensando agora, uma cebolinha também ia cair muito bem!



sal com dukkah

Dukkah. Essa combinação peguei de uma pesquisa de internet, é tradicional no Egito. Que coisa boa!
Tem a gordurinha maravilhosa da avelã, amendoim e gergelim; com aquele perfume mais seco do coentro e do cominho.




Fica ótimo com batata assada!
Aqui usei batata doce, e servi com floretinhos de couve flor salteados e azeite de oliva
  


sal mexicano

Esse tirei diretamente de uma ilustraçao do They Draw and Cook




É o que tem mais elementos até agora. Lembra o mole poblano.

então, o que dizer?, só experimentando mesmo!



Ontem preparava uma tapioca recheada com purê de batata doce e com jiló refogado e bastante salsinha; temperei com esse salzinho e a tapioca deu um salto! Ficou festiva! Jiló festivo, isso mesmo! La garantía soy yo! ^^

Aqui tenho uma sugestão com quirera cozida e lâminas de abobrinha grelhadinhas.

 

Todos estarão disponíveis em Curitiba, dia 08 de outubro aqui no Bazar de Primavera