06 junho 2019

#TBT Lua em Câncer





                 Já que é quinta feira e temos três planetas em Câncer, inclusive a Lua sua regente e significadora da nossa memória, vamos viajar de #tbt
                 Lá em 2016 ganhei da Lídia um cartão do Hostel Aline onde ela se hospedou no Marrocos. Notícias de Júpiter. Ela também é de Júpiter.
                 Sei que fiquei com vontade de fazer couscous marroquino que é tão gostosinho e macio e acolhedor (inclusive acolhe tudo quanto é acompanhamento, incrível) como o colo de canceriano. Mas olha só, nesse dia o que eu tinha era jiló! Ficou bom! E tem tudo a ver com hoje, com Saturno domiciliado bem de frente aos planetas no caranguejo, em oposição. A realidade tem seus amargores, nesse caso foi tostadinha na frigideira fechada até ficar com a casca queimadinha saturnina. Opondo e afirmando o couscous que enquanto isso ficou ali quietinho hidratando na cumbuca. Temperos que quiser, tudo combina. Eu fui num molhinho Vênus em Touro, encorpado e marcado com o toque telúrico do tahine: tahine, azeite de oliva, suco de limão, hortelã e pimenta verde.


                 A postagem original, com detalhes, está aqui.

27 maio 2019

Lua em Peixes

foto: Analu Bambirra



                 A Lua está em Peixes e cá estou lendo sobre a Lua ao invés de estudar o que realmente deveria; muito coerentemente aliás, com a quadratura de Lua e Mercúrio de há pouco. Mas é que essa Lua, ontem, me deu duas imagens tão lindas (e é tão rica a linguagem imagética, sempre fico comovida e grata) que estou fascinada! Uma das imagens vem do texto da Analu Bambirra que traz um trecho do Neil Gaiman. Estou comovida e grata. A outra imagem foi doída,  de des-ilusão; é bom também, estamos no finzinho da lunação que teve a Lua cheia em Escorpião, vejo espalhada pelos horóscopos a pergunta: "o que você vai deixar de carregar?". Ilusão é bom deixar mesmo: é uma imagem que existe na memória (ela existe, não é apagada), mas agora existe outra, como os peixes unidos por um cordão e olhando pra direções diferentes.
                 Peixes fala das águas e dos amores, está hoje com seus dois regentes, Júpiter e Vênus domiciliados. A Lua, errante feminino, noturno, frio e úmido, recebe influências nos muitos nos aspectos que faz em seu trânsito, pois tem natureza receptiva e está na esfera muito próxima da Terra; ela é a taça que recebe o que vêm das esferas exteriores. Rege as águas e os humores. E hoje traduz tudo isso de maneira pisciana. parece um ótimo dia para aplicar o método Marie Kondo: pegar cada coisa e perguntar: "isso me traz alegria?". Se a resposta for não: um monte pra descarte, um monte pra doação... Se a resposta for sim, fica, com a consciência da alegria.

                 A conserva DÔ de Peixes é o Molho Inglês, preparo em que os sabores dos ingredientes se unem nesse mar de maneira que já não se sabe mais onde começa um e termina outro.

19 maio 2019

Marte em Câncer regido por Lua em Sagitário


                 Era pra ser um prato assaz nostálgico pensando em Marte em Câncer, daquela nostalgia que nos dá ânimo pra continuar lutando, aí a Lua entrou num signo de fogo e até apareceu um Sol depois de vários dias frios e nublados! A gente precisa de fogo pra esquentar essa panela, claro!
                  Além disso, juntando Câncer com Sagitário, lembrei de uma anotação da Astrolíricas:

                 “'O melhor de ir é poder voltar.' O Caranguejo vai e junto com os passos, cria caminhos de histórias e saudade. Quando volta para trás, se alimenta de tudo isso que deixou.
                 O melhor de ir é poder voltar andando de ré.”
                 Vou contar pra vocês que isso acontece demais com as receitas. Aproveito que a Lua sagitariana vai até bem longe e trago um exemplo que vem do outro lado do mundo e passou por transformações que toda receita – e toda linguagem – passa. Porque está viva.
                 Ao mesmo tempo ela, receita, marca a gente de um jeito que parece fixa. Por exemplo o estrogonofe. Esteve em voga há algumas décadas, e tinha sempre aquele jeitinho de ser preparado e servido. Lembro que o arroz era sempre enformado numa cumbuquinha, enfeitado com uma salsinha, muito chique. A batata palha ficou indispensável. Era uma época de muito creme de leite em tudo, deixando os pratos (inclusive saladas) avelulados, ricos e até bem pesadinhos. Mas eu era criança, podia ficar fazendo a digestão taurinamente por quanto tempo fosse necessário.
                 No preparo, eu trouxe esse sotaque brasileiro do estrogonofe, da década de 80, 90. Que por sua vez trazia o perfume exótico da nobreza russa do séc XVII; também no caminho ganhou um sotaque e uma grafia kitsch afrancesada (como aponta o Silvio Lancellotti). E assim as receitas vão e voltam. Júpiter regente da Lua está retrógrado, e domiciliado. Fogo bom nessa panela. Todo essa essa construção de memória, dále Marte! Alguém pode observar que sim, está tudo muito lindo mas estamos sob efeito de uma lua cheia em escorpião. Bem, observem quanta acidez tem nessa receita: tem a mostarda, tem molho inglês, tem picles picadinho, os ferrõezinhos da batata palha, a história da nobreza russa do séc XVII, no creme azedo que é mostrado por Lancellotti enfatizando o caráter escorpiônico da fermentação, que também é matéria e nutrição do mangue, terreno do caranguejo:
                 “Quem não souber cometer, corretamente, um creme azedo, quem não ousar expor o laticínio à acidez, num desvão da cozinha, de uma noite até 24 horas, apenas falseie o seu paladar final com algumas gotas de suco de limão.“
                 Sim, o texto dele não é nenhum docinho, aliás. Gostaria de apontar também aquela referência sutil a Saturno - que hoje está cuidando da manutenção do seu poder em Capricórnio - logo no começo da receita:
“200g de filé mignon cortados em lascas do tamanho dos dedinhos de uma criança “
                 Aqui no Dodô a gente falseia o creme de leite (porque o leite é do bezerro) e o filé mignon (porque a mãe é do bezerro) mas cortamos o seitan em lascas do tamanho dos dedinhos de uma criança.
                 Falseamos também o brandy porque, como bem sabemos:
                 “Nunca dê bebida a um centauro!”

ferrugem do @zeldonribeiro
o texto do Lancellotti pode ser lido aqui



RECEITA

Comecei deixando de molho 1 xícara de amendoim em bastante água. Então escorri e liqudifiquei esse amendoim com 1 xícara de água nova. Coei.
Na panela, fiz suar um dente de alho e uma folha de louro em azeite de oliva; acrescentei então 1/2 xícara de passata de tomate, o leite de amendoim, temperei com sal, pimenta do reino, páprica picante, 2cc de molho inglês, 2cc de mostarda e deixei misturar bem. Só então acrescentei 2cS de biomassa de banana verde e 1 xíc de seitan cortando em lascas do tamanho de dedinhos de criança. (preferi deixar essa medida em volume caso alguém queira fazer com outro ingrediente, como pts, nata de soja, berinjela etc.)
Salteei em uma frigideira com óleo bem quente cogumelos Paris cortados em lâminas grossinhas e juntei ao estrogonofe. Também alguns pepinos em conserva bem batidinhos. E salsinha.

16 maio 2019

Lua e Spica em sextil com Júpiter




                 "Há um ditado africano que diz que todo grão de milho vai nu ao campo e, de lá, volta vestido e com a boa sorte. Matar a fome dos seus é uma dádiva a que, a priori, somos todos merecedores. No entanto, a disciplina e a inteligência virginianas, atributos que são necessários para que qualquer semeadura alcance o frescor e a fartura da maturidade, terão que ser conquistados sol a sol, honrando o suor dos céus e da própria testa. Enquanto uma mão, pela enxada do tempo, fica calejada, a outra, porta a espiga, pura, com a qual abençoará o pão e tudo o que tocar."* João Acuio, aqui 
                 Hoje acordamos com esse aspecto tão bonito no céu. A Lua passou pelo grau onde está Spica, a estrela fixa da constelação de Virgem, a estrela que fica na mão dela, que nos lembra a colheita. Das aulas a pergunta: "O que você está semeando?" afinal, é disso que depende a colheita.
A Lua, com Spica, em sextil a Júpiter domiciliado.
Para o alto! E avante!

                 A Spica é associada ao trigo mas também ao milho. Como hoje está frio,e é época de milho - respeitemos os ciclos - ofereço um curau de milho. É quase um mingau, dá conforto (Marte entrou em Câncer), dá força pro trabalho, e bem simples de preparar: No liquidificador: 1 e 1/2 xíc de milho verde com 1 xíc de água. Peneirei. Levei à panela com 2cS de leite Supra Soy em pó e 1cS açúcar demerara, porque o leite já é docinho. Mexi até ferver. Canela por cima 🌽

15 maio 2019

Vênus em Touro


                 Agora sim, Touro está taurino; sua regente chegou em casa depois de uma temporada escaldante! Mesmo com o Sol e Mercúrio em Touro não estávamos tão aliviados por causa da regente exilada em signo de guerra.

                "He venido encendida al desierto pa quemar
                 Porque el alma prende fuego cuando deja de amar"

                Lhasa de Sela

 
                 Mas agora, sombra e Vênus fresca!
                 Deu vontade de cogumelos. Porque eles moram no verde, nas sombras, na umidade, num lugar sem pressa. Consegue ouvir o barulhinho da água correndo? Dos animais se movendo (inclusive os mosquitos)? E esse perfume de terra?
                 Minha sugestão, bem encorpada, untuosa, úmida e venusiana para esse dia: fazer um risoto com cogumelos frescos.
                 Para preparar o risoto tem que ficar ali no pé do fogão mexendo o arroz, na maciota; até o Mercúrio que está ali junto vai ficar feliz, observando, considerando devagar as mudanças dos aromas, das texturas, das cores, quem sabe querendo experimentar um tempero diferente, quem sabe não; é bom assim do jeito que a gente conhece e gosta também. A Piloto Júpiter escreveu hoje mesmo: "o prazer é a semente da repetição, e a repetição é a semente da estabilidade".
                 Sei que a gente vai ter uma preguiça de lavar uma panela a mais, mas acreditem, vale a pena saltear os cogumelos separadamente e só misturar ao arroz bem no final do preparo!
Receita de risoto não falta nem na rede nem no blog do Dodô, risoto aqui ganha domicílio, exaltação e júbilo!! Algumas receitas da casa:






09 maio 2019

Céu da Boca: o Touro solar e o Leão lunar




                 O Touro solar e o Leão lunar

                 No dia 11 de maio será nosso primeiro Céu da Boca na Saturnália!

                 Sol em Touro, em trígono com Saturno em Capricórnio, a gostosura taurina livre de rococós venusianos. Aliás a Vênus a 25 graus de Áries já sente o cheirinho da grama mas ainda está na fogueira.
Tem mais fogo nesse céu: a Lua em Leão! Disposta pelo Sol em Touro, disposto pela Vênus tórrida.

                 Efemérides de cores quentes: a abóbora corpulenta assada na fogueira, arvorezinhas de couve-flor em amarelo ouro, com o sabor telúrico da cúrcuma em trígono com o acre saturnino.

                 Trigo, sempre. Um dos nossos cereais ancestrais. Como diz uma das máximas do João Acuio:

                 "Céu é um registro mnemônico, serve para lembrar a semeadura do Tempo."

08 maio 2019

Céu da Boca - na Saturnália



                 “Assim no alto como embaixo, tudo é milagre de uma única coisa.”¹
                 Da tradução entre o que está no alto e o que está embaixo trata a Astrologia: a linguagem do Saturno, o Tempo, trazida por Mercúrio, deus que conecta alhos com bugalhos, “demonstrando o seu poder em conectar e desconectar o mundano com o sagrado, o leva-e-traz do cotidiano com o ritualístico.”²
                 Várias linguagens dão conta disso, a cozinha é uma delas. A linguagem da cozinha também é do Tempo: os tempos dos seus processos internos, o tempo do compartilhamento entre os comensais, o tempo da agricultura, e também é regida por Mercúrio em pés, mãos, olhos, nariz, confabulações, memórias, epifanias.
                 O Céu da Boca, que acontecerá na Saturnália vai apresentar essa linguagem. Com muito, muito tempo à mesa de compartilhamento entre os comensais.

1: Tábua de Esmeralda, de Hermes Trimegisto
2: Maíra Fernandes, Sol Invictus Astrologia 

06 maio 2019

Mercúrio em Touro


                 
                 Touro traz a atenção ao material e sensorial - e já é um clichê tratar os taurinos como gulosos; isso me faz pensar na linguagem da comida. 
                 Além do gosto venusiano pela mesa, Touro exalta a Lua. As comidas trazem um vocabulário afetivo riquíssimo, além do cultural, além do biológico. 

                 Falando em biológico, vocês conseguem sacar quando o corpo está pedindo algum nutriente? Normalmente é através da vontade, linguagem bem taurina, nénão? Lembro que acordava às vezes com uma vontade louca de comer fígado, até o dia em que descobri que a beterraba é rica em ferro, e meu vocabulário mudou e a vontade também foi atualizada de acordo. Isso sempre me impressiona!

                 E muito mais do que isso, os alimentos estão impregnados de símbolos, de afetividade, de cultura. Li ontem: "A salvo da escassez de alimentos imposta por fatores externos, estamos mais livres do que nunca para projetar nos alimentos significados que nada têm a ver com mitigar necessidades alimentares, buscando com isso, através do comer, satisfazer nossas necessidades afetiva ou de realização sexual, ou dissimular raivas e dores. O alimento também pode ser o depositário de nossos medos secretos e de nossas fantasias de uma saúde perfeita."* 

                 O que eu proponho hoje é a atenção aos apetites, especialmente esses ataques à geladeira que não são por fome; ou melhor, você tem fome de que?
                 Proponho também que, à mesa, conversem sobre a comida, a que está ali na sua frente, não a que está em tal lugar no passado ou no futuro. Ou se você está sozinho, pode conversar com a comida mesmo, ela tem tanto tanto tanto a dizer! 

* JACKSON Eve. Alimento e Transformação

04 maio 2019

Lua Nova em Touro disposta por Vênus em Áries



                 “Ah, um tagliatelle, hein, pessoal!” 
                 Hoje a Lua chegará no mesmo ponto onde está o Sol, em Touro, onde ela já se exalta.Tão gostoso pensar na Lua, nutridora, mamma, exaltada, encontrando o Sol marcando um novo começo de ciclo. Mas, espere!,a Vênus está em Áries! Então nada de doce de leite ainda, afinal, Áries é a energia colérica da ignição, daquele fogo interno que não dá sossego!
                 Vamos olhar também (foi só falar de Áries que o olho já pulou pra outra parte do mapa, não sossega mesmo!) que no momento da conjunção Sol-Lua, o signo que ascende no horizonte é Sagitário, o signo que ganha espaços, que trata de esperança, de fé.
Pra mais do que isso, eu não poderia falar nada melhor do que fez Italo Calvino num conto das Cosmicômicas, onde o início da expansão do universo começa com um impulso nutridor e generoso, de uma grande Lua em Touro, a sra. Ph(i)NkO.
                 Certeza que ele escreveu esse conto pra essa lunação! Lembrando ainda que Marte em Gêmeos está se opondo ao Júpiter no ascendente, a gente pode ver isso nos diálogos e picuinhas entre alguns personagens. Maravilhoso! Quando você estiver se sentindo desnutrido, vai pro Calvino
                 O conto pode ser lido aqui

22 abril 2019

Sol em Touro, Vênus em Áries


                 O Sol que estava exaltado em Áries chegou há pouco no signo de Touro, dando uma diminuída no fogaréu do céu.
                 A energia colérica impetuosa ariana materializada no corpo do touro.
                 O cuscuz é preparado na panela, no fogo, mas depois de enformado fica ali, tranquilão, repousando. É gostoso em temperatura ambiente, é gostoso gelado, e juro que sempre gostei muito mais de raspar uma panela de cuscuz do que uma de brigadeiro!
                 É imprescindível a ardência da pimenta distribuída no corpão do cuscuz. Prezamos pela harmonia, claro; estamos em território venusiano mas ela mesma, em Áries apimentando os ânimos e toda essa gostosura.
"De todo o meu passado
Boas e más recordações
Quero viver meu presente
E lembrar tudo depois
Nessa vida passageira
Eu sou eu, você é você
Isso é o que mais me agrada
Isso é o que me faz dizer
Que vejo flores em você"

                 A receita já postei uma vez então é só seguir aqui