12 outubro 2019

Lua em Áries e a Jornada da Heroína


                  
                 O monomito sintetizado pelo mitólogo Joseph Campbell* apresenta uma estrutura cíclica que pode ser observada a partir de narrativas que ele encontrou em décadas de pesquisa. essa estrutura é repetida até hoje na arte e na nossa história individual, cheia de aventuras interiores. Veja o nosso momento como exemplo:

                 O início é uma situação conhecida, uma rotina. A Lua em Peixes, um lugar frio e úmido como ela; desde último aspecto andou onze graus desde então segue nesse ambiente que lhe é confortável.
                 Então acontece o Chamado para a aventura: a Lua, que é andarilha, é levada a cruzar um portal que a tira desse mar confortável e seguro. Agora nossa heroína se vê em um território muito seco e muito quente, contrário à sua natureza.
                 Vou colocar os dois próximos passos juntos, porque aqui estão amarrados; o primeiro é encontrar ajuda: provavelmente de alguém mais velho, mais sábio. Sim! A poucos graus a Lua encontra seu dispositor! Nesse embate ela reconhece muito do território onde transita. O problema – e ai começam os testes (o próximo passo): esse encontro é por oposição então, se Marte pode ajudá-la, será pela dor. Outro problema: o próprio Marte está muito desconfortável, exilado, expatriado, e isso se reflete na qualidade dos seus territórios.
                 Mas é uma Lua em Áries é portanto arretada! Se ela cai, só levanta e vai! Está cheia de luz, no final da fase crescente, colérica, num signo colérico. Não para pra ficar lambendo ferida. Vai passando os testes.
                 Próximo passo do monomito: a hora de encarar a maior provação, o pior medo do heroi: precisamente aos 14 graus, a quadratura com Saturno! “Essa é a hora mais negra do heroi. ele enfrenta a morte e pode ser que até mesmo morra, apenas para renascer”. Rá! Nossa heroína cai e levanta; morre e renasce!
                 Depois desse grande enfrentamento a heroína reinvindica, como recompensa, um tesouro, reconhecimento especial ou poder. Isso vai acontecer dali a poucos graus, quando se opõe ao Sol, onde se enche de luz, iniciando sua fase cheia, e fecha um trígono com Júpiter, hoje domiciliado no signo que fala de Quíron, o centauro que, lidando com sua própria ferida incurável, ajudou tantos outros. E assim será, ela aprendendo e ensinando, distribuindo sua luz, até que entre em touro, no começo da tarde do dia 14, momento em que será exaltada e uma nova aventura começa.





                 Da cozinha: Acelga, uma verdura tão lunar: redonda, branca e aquosa. Sou apaixonada por ela mas cortei as folhas em pedaços grandes e machuquei com sal, para que ela perdesse grande parte da sua água como no momeço da jornada. Isso faz com que ela fique mais resistente e mais saborosa. Fiz a mesma coisa com alguns rabanetes e um taço de salsão. Enquanto os vegetais suavam no sal, ralei gengibre, tostei e moí gergelim branco, cortei cebolinha. Misturei esses temperos. Lavei e espremi bem a acelga, rabanete e salsão (sempre é bom verificar se ainda não estão muito salgados) e temperei com a mistura. Finalizei com pimenta calabresa.
                 Se a gente adiciona um molho de arroz, fecha tudo e deixa fermentar, obtém um kimchi, uma conserva tradicional coreana que é entrerrada em grandes barris por muito tempo. Mas pra fermentar é necessário um aspecto melhor com Saturno. Além disso, em Áries a energia é de ignição mas nem sempre os processos vão até o fim. E assim em salada já fica incrível, mesmo que depois de umas horas fechadinhas fique com um cheirinho de inferno. Mas é uma delícia!


*Campbell levava 4 planetas em Áries no seu mapa natal, inclusive os dois regentes Marte e Sol, mais Mercúrio e Júpiter colados ao Sol, combustíssimos.

09 outubro 2019

Lua em Peixes



                 No começo da tarde a Lua submerge em Peixes; mal entra na água já fecha um trígono com Vênus em Escorpião e uns passos além com Mercúrio. Em Escorpião Mercúrio é peregrino, ou seja, não tem nenhuma dignidade nem debilidade, já Vênus está exilada e mal disposta. A Lua, mais adiante, depois de fazer um sextil com o restritivo Saturno finalmente vai encontrar o benéfico e seu dispositor Júpiter, porém em quadratura, um aspecto muito difícil. Ó Céus, o que será das nossas vontades?
                 A Lua, Vênus e Mercúrio, planetas mais próximos de nós e que portanto tratam também de assuntos mais próximos, não vêem Sol nem Marte, os dois planetas coléricos. 
                 Colérico não é sinônimo de raivoso. Tem muita coisa nessa energia impetuosa, inclusive a alegria, o entusiasmo e o impulso para conquistar nossas vontades. Tem mas tá em falta até sexta.

                 Enquanto isso, o jeito é cozinhar sem fogo. No ambiente frio, úmido e ácido é que se faz o ceviche. Tempo é necessário, mas sem exagero: se a cebola fermentar vira veneno!
                 Cortei os talinhos do coentro bem miudinhos, pimenta vermelha, cebola e uma pitada de pimenta do reino. Espremi ali meio limão, cortei duas bananas em pedaços pequenos (porque queria bem azedinho, pedaços maiores dão um maior contraste doce/azedo que também é muito bom), misturei tudo e salguei. Por fim, as folhas de coentro. Se for preparar o ceviche depois, já deixe as bananas na geladeira.




03 outubro 2019

Devoção


                 Prometo que vou variar mais as estrelas fixas; mas com tanto planeta passando por Libra é muita oportunidade da gente olhar para uma estrela tão benéfica e que ao mesmo tempo traz à lembrança a responsabilidade que cada um tem nessa Sorte, é preciso se esforçar. Além disso, como uma estrela que traz um mito agrícola, também traz conceitos caríssimos à cozinha. É um ritual aqui no Dodô reverenciá-la todo mês, quando a Lua abre essa janela.

                 Hoje é Vênus que está no grau vinte e três de Libra. Domiciliada e sem maléficos à sua vista, pode tratar dos seus assuntos. 

                 "Vênus é devoção." foi uma afirmação da Sol Invictus que criou raízes por aqui. É devoção porque para Vênus as coisas boas e gostosas que a gente sente são ligadas à ideia de Beleza - com B maiúsculo - que é um vislumbre da Eternidade e do divino.

                 Dia auspicioso pra isso: é dia de Júpiter! A Lua fica conjunta a ele, e eles também têm esse vislumbre. E confiam.

                 Como nós podemos ter também? A gente pode olhar pra cima, e/ou olhar pra quem está perto, e/ou pra Natureza, e o divino está nisso tudo. Está também no resultado do trabalho do homem: a Cultura. Um dia de muitas Belezas!


                 O nabo é branco, frio e bastante úmido, como a Lua; ganhou asas, para movimentos livres, amplos, sagitarianos.
                 O trigo é da mão da Astreia. Os grãos ficam de molho antes de serem cozidos. Pode-se colocar a ervilha pra cozinhar na mesma panela, no final do preparo, porque o trigo demora muito mais que ela. Por favor não usem ervilha em lata - coisa mais fácil do mundo pegar o pacotinho delas congeladas e deixar guardadinho no congelador; e olha a cor!
                 Essa base combina com tantos temperos que meu palpite é que você se aventure no aroma que vem da panela e escolha o tempero que ele te sugere. Vai bem aí um fio de óleo cru na hora de servir; um bem bom, os óleos são de Júpiter e ele está muito bem dignificado!
                 Também aproveita os últimos momentos de Marte em Virgem e pega faca e o link pra fazer a borboleta


28 setembro 2019

Mercúrio conjunto a Spica


23 setembro 2019

Sol em Libra


                 O Sol caiu em Libra. Esse é um ponto do calendário em que dia e noite têm a mesma duração, equilibrando a balança.
                 Nesse momento, há no Céu outra dualidade que a gente vai trabalhar, tentar equilibrar: Lua em Câncer em oposição a Saturno em Capricórnio. Ambos domiciliados. A oposição é um aspecto tenso, de embate. Mas é um embate aberto. Saturno, seco, frio, restritivo, na última esfera celeste. A Lua, úmida, fria, generosa, nutridora, na esfera mais próxima de nós e de nossas panelas. Tudo o que acontece no céu passa por ela para chegar a nós.
                 Portanto busquei frutas secas, resultado de secura e tempo, coloquei na panela, esse recipiente lunar, com alguma água. Ao mesmo tempo - que loucura - acendi o forno para molhar e ao mesmo tempo secar e o conteúdo se transformar em uma conserva/geleia (e não uma sopa).
                 Assim a gente vai lidando com o trígono de maléficos, com a perda da luz da Lua, esse momento introspectivo. Melhor coisa é fazer isso esquentando a barriga no fogão. O corpo todo pensando junto. Bom, pensando junto é modo de dizer, a Lua quadra Mercúrio, pode dar alguma falta de ritmo nesse processo. Mas deixa as linguagens se trombarem, mesmo que possa doer um tanto, talvez venha coisa boa, inusitada. Nem todos os processos criativo são rosas.
                 Mercúrio quando está em Libra não quer treta com ninguém. O que é intensificado quando acaba de passar pela Vênus. Mercúrio é um planeta neutro, toma para si as qualidades do planeta que está próximo, que hoje é Vênus, que é úmida e fria como a Lua. E também está domiciliada.
Vênus de Libra entregou pra Mercúrio uma garrafinha com um ingrediente pra ser colocado bem no fim do umedece-seca da panela; não poderia ser de outra coisa: água de rosas.


GELEIA DE CRANBERRIES E ROSA
1. Hidratar 400g de cranberries
2. Fazer uma calda rala com 1/2 xíc água e 1/4 xíc açucar
3. Liquidificar uma maçã com suco de meio limão e um pouco de água
4. Juntar cranberries e suco de maçã à calda e manter em fogo baixo, mexendo até a consistência desejada (se precisar colocar mais água, melhor colocá-la já quente)
5. Quando estiver pronto, apagar o fogo e espere esfriar. Só então adicionar 2cc água de rosas.

13 setembro 2019

Guacamole




                 Você olha Júpiter domiciliado e jubilado e já se alegra! Tá escutando essa risada gostosa no céu? É ele!
                 Mas, não sei... parece que alguém olha pra ele com uma pulga atrás da orelha... ou eu poderia dizer: alguém olha pra ele com um Mercúrio em quadratura? Mercúrio, (ai que nervoso, por só mais esse grau) domiciliado e exaltado em Virgem, racional e concentrado, acha desagradabilíssimo o estardalhaço cavalar do vizinho - e ainda essa gula, meu Zeus! Pra que tudo isso?!
                 Mercúrio e Vênus estão em conjunção; saíram há pouco da situação de combustão, podem finalmente se servir de uma limonada fresca e trabalhar em paz.Trabalham em um texto, claro. Poesia bem lapidada, se bem que despretensiosa.
                 Mas assim não dá! Alguém fecha a janela por favor! Agora a Lua fazendo uma oposição, encarando mesmo!
                 A Lua não tá muito bem, coitada; em Peixes é regida por Júpiter e por Vênus, quadrando um, fazendo oposição à outra, eles com arestas entre si. Oposição também  ao Sol e partil a Marte! Lunática, diz coisas como :
“Só os bons poetas nos curam do fastio de palavras.
 Só a comida simples e essencial nos cura da saturação da gula.”*

                 Você quer ver todos bem. Chama todo mundo pra casa do Mercúrio (já que já tem uma galera lá, e eles gostam de servir bem para servir sempre); oferece um alimento úmido, para agradar o sanguíneo Júpiter e a fleumática Lua. Já que a Lua tá citando um escritor colombiano, que tal uma guacamole? Abacate de corpão Lua-Júpiter (generoso e, como ele, untuoso). O tomate, cebola, pimentas, sal, coentro, limão a se deixarem ser poesia por Mercúrio-Vênus. Dá o trabalho de corte pro Marte em Virgem pra ele ficar ocupado. O Sol feliz porque AMA comida latina! Oba! Se der treta, oposições, quadraturas, é só o calor do momento, já passa - olha o trígono com o Tempo, e vai ficar tudo em segredo.

                 Aliás, Saturno não quis aparecer. Tá jubiladão, domiciliado, preferiu ficar lá fazendo as coisas de casa-12-sexta-feira-13 dele. Também nem gosta de guacamole, então deixa o cara. Cada um tem seu jeito de ficar bem :)


                 *Héctor Abad em "Livro de receitas para mulheres tristes"





09 setembro 2019

Lua em Aquário - A crase não foi feita para humilhar ninguém.



                 Quatro planetas em Virgem e o amor pela ordem. A busca pela perfeição . Virgem dá domicílio e exaltação a Mercúrio e isso traz inquietude, muitas vezes até algum apego a picuinhas. Mercúrio é deus da língua, e olha a nossa portuguesa-brasileira, que linda! Tudo tão específico, lapidadíssimo, mil regras e suas exceções, mil línguas mães, a maleabilidade dos 'dialetos'... uma frase bem construída impressiona e deixa virgo satisfeito.

                 O céu quase todo virginiano de hoje está filtrado pela Lua em Aquário, a Lua que lembra a frase do Ferreira Gullar. - "A crase não foi feita para humilhar ninguém." (texto aqui)

                 Uma frase bem construída é bonito, mas se sentir superior por isso já á outra história. Aquário divide a água do conhecimento divino com os homens, não faz sentido a gente usar o conhecimento para se afastar do outro.
                 Na cozinha também tem bastante isso. A história dos pratos, as técnicas, dão valor a eles (vou deixar um exemplo abaixo). Mas surtar quando alguém comete uma gafe culinária, ui.
                 Hoje proponho um exercício de soltura. É o seguinte: ferva bastante água em uma panela de uns 20cm de diâmetro. Pegue na mão um punhado de espaguete; observe que o macarrão não cabe na panela. Perceba que, se quebrado ao meio, cabe direitinho; Aquário e Virgem são signos ligados à racionalidade então não pule essa etapa, ela é essencial! Deduza que é uma ótima ideia quebrar ao meio. Não quebre em muitos pedaços, ao meio já é ótimo - o Céu está virginiano, não sejamos assimétricos!
                 Pode servir com garfo e faca. Você vai perceber que o espaguete inteiro também é mais fácil de comer, e que mais uma vez a tradição tem seus porquês. Virgem e Aquário dão as mãos. Mas aí está, você cometeu um ato revolucionário: quebrou o espaguete e o prato ficou bom, apesar de imperfeito!! Vai me dizer que não se sente mais leve?



"SPAGHETTI

     Não existiam os spaghetti, ao menos com esse apelido, antes de 1800. Filhos evidentes das tujje ancestralíssimas, por séculos eles se chamaram genericamente vermicelli ou vermicellini, de acordo com a dimensão do seu diâmetro. A tradução não estimula o apetite. Vermicello, no singular, quer dizer, 'pequeno verme'. A História, todavia, justifica o nome.
     Além das trujje normais, aquelas de fios longilíneos enrolados em novelos, na Sicília de 1200 se comiam também as espatifadas em pedaços pequeninos. Nada se devia desperdiçar. Por piada, uma anedótica similaridade, os cacos foram batizados de vermiceddi, no dialeto local.
     Depois, ao redor de 1480, algum sábio meridional bolou um instrumento formidável, o arbitriu, basicamente um cilindro de madeira com uma prensa mecânica por dentro e uma série de orifícios na ponta inferior. Com o arbitriu se faziam massas novas, mas também se recuperavam os vermiceddi, recomprimidos e transformados de novo nas trujje. Tratava-se, porém, de um casamento de matérias mal-aproveitadas, de uma adaptação. E assim, pioneiríssimo na defesa do consumidor, o honesto inventor do arbitriu decidiu batizar o seu produto de vermiceddi di trujje ou de trujje bastarde, uma iguaria sem paternidade oficial. O tempo e o espraiamento da pasta pela Itália inteira se encarregam de fabricar uma infinidade de corruptelas, das quais sobreviveram os vermicelli. Um versejador campano, Antonio Viviani, utilizou pela primeira vez o mote spaghetto em 1824, num poema cômico, 'Li maccheroni di Napoli', em que comparava o vermicello a um piccolo spago, um barbante miúdo. Uma inspiração de obviedade mais atroz do que chamar os restos de trujje de vermezinhos. Viviani, contudo, não criou somente um termo. Em seu poema ele efetivamente modificou o seu próprio dialeto. em Nápoles, então, não se dizia spago ou spaghetto. Barbante era spavo. O seu diminutivo, spavetto. Ironia: a obra do versejador se evaporou, ninguém mais sabe dela fora de sua cidade, enquanto o universo inteiro come os spaghetti."
in: LANCELLOTTI, Sílvio. O Livro da Cozinha Clássica. Porto Alegre: L&M, 1999. pág 120

05 setembro 2019

Quadratura Virgem-Sagitário e a moqueca



                 Um pouco antes do próximo amanhecer a Lua em Sagitário encontra Júpiter e mira o divino. A Lua é o corpo.
                 Ao mesmo tempo, Virgem é o signo que está na cúspide da casa 2, casa do que sustenta o corpo. Marte e Mercúrio estão ali combustos, racionalidade e agressividade não estão funcionando muito bem. O trígono com Saturno domiciliado traz a paciência e a solidez. Traz secura e restrição também, mas, olhe aquela fortuna ali em Touro, conjunto à estrela fixa Menkar. Menkar pertence à constelação de Cetus, o monstro que Netuno mandou para devorar o corpo de Andrômeda; isso porque sua mãe ousou afirmar que a sua beleza era superior à das nereidas. E penso que além da racionalidade e agressividade, podemos também baixar um pouco a arrogância. A gente já pode ver no que que dá essa combinação.
                 E de olhar pra isso eu sentia a melancolia desse triângulo de terra, quando ontem em aula o Acuio foi assertivo: “Nada acontece sem a autorização da Lua”. A Lua, fazendo quadratura e antíscia com esse triângulo, liga a terra com o divino, num signo mutável que abre duas casas desse mapa: a casa 4, que fala das raízes, a casa 5, que fala das crias e criações.
                 A partir disso lembro que os rituais têm como uma das intenções “manter a ordem do que está em cima a partir da ordem que está embaixo”; mas que rituais e tradições não precisam ser estupidamente fixos. O que precisa, sim, é atenção ao que está se fazendo. Presença.

                 A moqueca que preparei para esse mapa aconteceu assim, mesmo antes de eu ter me dado conta racionalmente: escolhi a moqueca por unir tradição, por ter esse formato de camadas, que julguei ser importante, e por desconfiar ser comida oferecida a orixá e que portanto fala com o divino. Parecia tudo tão certo, e fixo. Então ela foi abrindo outros caminhos: descobri que a moqueca não tem origem diretamente africana mas muito mais forte é a semelhança com as caldeiradas portuguesas. A obrigatoriedade de camadas também foi rapidamente refutada. A receita que gostei traz detalhes que satisfazem os planetas que se vestem da Virgem pois as cozinheiras explicam a razão e melhor maneira de usar cada ingrediente. Posso dizer que existem camadas sim, mas no conteúdo e não na forma. Um dos processos importantes é chamado de “machucar”, e como isso transforma os temperos! (Quem nunca?). Mas o que seria disso tudo na panela se não fosse o jupiteriano azeite de dendê, que com o calor se expande, perfuma e deixa todo o prato com a cor quente e maravilhosa do centauro!


03 setembro 2019

Lua em Escorpião


                
                 Quando a pimenta com caveira foi preparada pelo ex-crush que carrega três planetas em Escorpião no mapa natal e você se pergunta se abrir o vidro é  seguro, porque a Lua atravesssa a via combusta exilada em Escorpião, disposta por Marte-Virgo, forte pois na sua triplicidade e no seu dia, cego pois combustíssimo, e num dia assim a nóia escorpiana é distribuída com abundância para todos sob o Céu.

02 setembro 2019

Marte Cazimi em Virgem



                
                  “A Virgem pertence ao chão. E isso, meu caros, diz quase tudo sobre Ela. Citarei seu mito e como Astréia fugiu do mundo por não suportar o defeito humano, no singular. Contou da terra, como tratar da mesma e assim colher a cevada. Contou dos ciclos, as primaveras e os invernos. Mutável que só ela, explicou como tudo, absolutamente tudo muda, tudo e absolutamente tudo se transforma nos ritmos da Natureza, da Terra, sua morada. Bom, e o homem? O homem fez o que costuma fazer. Botou fogo no mato.”
                
                 Assim escreveu a Astrolíricas há uns dias e eu fiquei embasbacada, como estou de novo agora, ao reler. Hoje a Lua passou por Spica, estrela da constelação de Virgem. E dói mesmo. Quatro planetas estão em Virgem, regidos por Mercúrio em Virgem, mas a gente não pode ir pro céu, como a Astreia, que “carregada por imensa tristeza retirou-se do mundo dos homens e colocou-se no céu”. Porque nós somos os malditos homens! Aliás, a gente tá preso na casa XII, casa do auto-boicote, com esses 4 planetas e mais a Lua, representante do povo na Astrologia Mundana. A casa XII, das prisões; também a casa inimigos secretos, de medos. Isso porque, além de essa casa não ver o ascendente, ela tem uma luz que engana os olhos. Nas casas XII e VI, respectivamente o nascer do sol e o poente, da luz não deixa ver com clareza e assim surgem as visages.
                Olhando o Marte cazimi no signo da Virgem, eu lembrei de uma dessas visages, e me acendeu o coração:
                 Um personagem de cabelos de fogo e olhos vermelhos, como Marte, que tem os pés voltados para trás para enganar os caçadores, que lembra o artifício que o pequeno Mercúrio – regente de Virgem – usou para despistar o roubo dos bois de Apolo.
Ah, Curupira, tô pedindo, pedindo mesmo, Curipira, cuida dos bichos! Cuida dos matos! Apesar da insanidade de tantos de nós!
                 Saturno tá em Capricórnio enraizado no Fundo do Céu, não deixando dúvida sobre a esterilidade da terra, mas a Fortuna tá com Júpiter em Sagitário, e eu escolho olhar para Saturno exaltando Marte-Curupira, protetor em vez de Saturno exaltando Marte-destruição-no-coração-do-Sol-representante do-governo-em-astrologia-mundana.
                 Então esfriei os ânimos bastante por aqui, troquei panelas por faca e tábua, e a não ser pelo palmito que foi assado, optei por um preparo só com cortes, apelando para a pureza e precisão do Marte Virgo. Uma receita bonita do Ignacio Medina, que a sugere com palmito em conserva (eu preferi assar um fresco e compensar a acidez colocando mais limão, porque afinal Saturno está domiciliado e portanto dignificado, então queremos um azedo também digníssimo; adicionei à receita dele a castanha do Pará, que ficou maravilhosa com o abacate.
                 Embrulhei o palmito em papel alumínio untado e assei em forno a 180ºC. Cortei. Cortei fatias de manga, salpiquei com pimenta. O abacate cortei em pedaços bem menores para embeber em limão, temperei com sal, cebolinha, coentro fresco e castanha do Pará picada também na faca.

O texto embasbacante completo da Astrolíricas está aqui 


26 agosto 2019

Memória em Câncer



                 A Lua está em Câncer, casa da memória. Parei pra arrumar umas fotos pro Esquadrão DIY e me flagrei abrindo bauzinhos e pastas, olhando passado, presente e futuro do Dodô, me perguntando qual será o caminho. DO quer dizer caminho, então o único jeito de responder é continuar em movimento.
                 Mercúrio e Sol continuam em mútua recepção. Mercúrio em Leão se perguntando sobre sua identidade, regendo e regido pelo Sol em Virgem. A Analu e eu temos pras nossas conversas vários emoji-glifos dos signos e planetas, e Virgem é o ratinho  o animal que passa agilíssimo e inquieto pelas gavetas, analisando e arrumando. A Silvia também já disse que Virgo é roedor, fiquei feliz: ponto para nossos emoji-glifos. 
                 Eu aqui, no presente, me nutrindo disso tudo, amigos de conversas suculentas.
                Achei lindo. Abri o mapa. A Lua na casa 5, das crias. Júpiter na casa 10, lindão! A casa 10 fala da carreira. A Lua em Cãncer exalta Júpiter. Sinto estar olhando pro futuro. É Fé que chama :)

                 Fé nas crias. A gente sempre faz o melhor que pode no momento.
                 Façamos. ❤