dodô

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27 janeiro 2011

Carroll


"'ORA', DISSE O DODÔ, 'A MELHOR MANEIRA DE EXPLICAR É FAZER.' (E, COMO VOCÊ PODE QUERER EXPERIMENTAR A COISA POR CONTA PRÓPRIA, NUM DIA DE INVERNO, VOU LHE CONTAR COMO DODÔ A ORGANIZOU:

PRIMEIRO TRAÇOU UMA PISTA DE CORRIDA, UMA ESPÉCIE DE CÍRCULO ('A FORMA EXATA NÃO TEM IMPORTÂNCIA', ELE DISSE) E DEPOIS TODO O GRUPO FOI ESPALHADO PELA PISTA, AQUI E ALI. NÃO HOUVE 'UM, DOIS, TRÊS E JÁ': COMEÇARAM A CORRER QUANDO BEM ENTENDERAM E PARARAM TAMBÉM QUANDO BEM ENTENDERAM, DE MODO QUE NÃO FOI FÁCIL SABER QUANDO A CORRIDA HAVIA TERMINADO.
CONTUDO, QUANDO ESTAVAM CORRENDO JÁ HAVIA UMA MEIA HORA, E COMPLETAMENTE SECOS DE NOVO, O DODÔ DE REPENTE ANUNCIOU: 'A CORRIDA TERMINOU!' E TODOS SE JUNTARAM EM TORNO DELE, PERGUNTANDO ESBAFORIDOS: 'MAS QUEM GANHOU?'

O DODÔ NÃO PÔDE RESPONDER A ESSA PERGUNTA SEM ANTES PENSAR MUITO, E FICOU SENTADO UM LONGO TEMPO COM UM DEDO ESPETADO NA TESTA (A POSIÇÃO QUE GERALMENTE SE VÊ SHEAKESPEARE, NAS IMAGENS DELE), ENQUANTO O RESTO ESPERAVA EM SILÊNCIO. FINALMENTE O DODÔ DECLAROU:
'TODO MUNDO GANHOU, E TODOS DEVEM GANHAR PRÊMIOS.'"




CARROLL, Lewis. Alice no País das Maravilhas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000. pág. 29


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