02 setembro 2019

Marte Cazimi em Virgem



                
                  “A Virgem pertence ao chão. E isso, meu caros, diz quase tudo sobre Ela. Citarei seu mito e como Astréia fugiu do mundo por não suportar o defeito humano, no singular. Contou da terra, como tratar da mesma e assim colher a cevada. Contou dos ciclos, as primaveras e os invernos. Mutável que só ela, explicou como tudo, absolutamente tudo muda, tudo e absolutamente tudo se transforma nos ritmos da Natureza, da Terra, sua morada. Bom, e o homem? O homem fez o que costuma fazer. Botou fogo no mato.”
                
                 Assim escreveu a Astrolíricas há uns dias e eu fiquei embasbacada, como estou de novo agora, ao reler. Hoje a Lua passou por Spica, estrela da constelação de Virgem. E dói mesmo. Quatro planetas estão em Virgem, regidos por Mercúrio em Virgem, mas a gente não pode ir pro céu, como a Astreia, que “carregada por imensa tristeza retirou-se do mundo dos homens e colocou-se no céu”. Porque nós somos os malditos homens! Aliás, a gente tá preso na casa XII, casa do auto-boicote, com esses 4 planetas e mais a Lua, representante do povo na Astrologia Mundana. A casa XII, das prisões; também a casa inimigos secretos, de medos. Isso porque, além de essa casa não ver o ascendente, ela tem uma luz que engana os olhos. Nas casas XII e VI, respectivamente o nascer do sol e o poente, da luz não deixa ver com clareza e assim surgem as visages.
                Olhando o Marte cazimi no signo da Virgem, eu lembrei de uma dessas visages, e me acendeu o coração:
                 Um personagem de cabelos de fogo e olhos vermelhos, como Marte, que tem os pés voltados para trás para enganar os caçadores, que lembra o artifício que o pequeno Mercúrio – regente de Virgem – usou para despistar o roubo dos bois de Apolo.
Ah, Curupira, tô pedindo, pedindo mesmo, Curipira, cuida dos bichos! Cuida dos matos! Apesar da insanidade de tantos de nós!
                 Saturno tá em Capricórnio enraizado no Fundo do Céu, não deixando dúvida sobre a esterilidade da terra, mas a Fortuna tá com Júpiter em Sagitário, e eu escolho olhar para Saturno exaltando Marte-Curupira, protetor em vez de Saturno exaltando Marte-destruição-no-coração-do-Sol-representante do-governo-em-astrologia-mundana.
                 Então esfriei os ânimos bastante por aqui, troquei panelas por faca e tábua, e a não ser pelo palmito que foi assado, optei por um preparo só com cortes, apelando para a pureza e precisão do Marte Virgo. Uma receita bonita do Ignacio Medina, que a sugere com palmito em conserva (eu preferi assar um fresco e compensar a acidez colocando mais limão, porque afinal Saturno está domiciliado e portanto dignificado, então queremos um azedo também digníssimo; adicionei à receita dele a castanha do Pará, que ficou maravilhosa com o abacate.
                 Embrulhei o palmito em papel alumínio untado e assei em forno a 180ºC. Cortei. Cortei fatias de manga, salpiquei com pimenta. O abacate cortei em pedaços bem menores para embeber em limão, temperei com sal, cebolinha, coentro fresco e castanha do Pará picada também na faca.

O texto embasbacante completo da Astrolíricas está aqui 


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