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16 dezembro 2020

Piruá

 


         Anteontem a Lua cobriu o Sol na casa dele, a casa 9. ela se esquentou no seu fogo mutável até não se aguentar mais e PÓC! Virou pipoca sagitariana!
        O Rubem Alves escreveu:
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"Milho de pipoca que não passa pelo fogo
continua a ser milho para sempre.
Assim é o ser humano,quando ele
deseja: crescer,subir,pular para forma
mais alta de sua evolução, vira pipoca.
(...)
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
É pelo poder do fogo que a transformação acontece."

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        Mas tudo passas, tudo muda, e a Lua não só chegou no seu exílio mas tem que se secar, pela última vez dessa temporada, com Saturno em Capricórnio e Marte em Áries. Agora quase só tem piruá mesmo.
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(e se alguém tiver uma onomatopeia melhor do que PÓC me ajude por favor!)
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Para comer o céu do mês, dá uma olhada no Catarse do DÔ



04 dezembro 2020

Entusiasmo é estar tomado por Deus

 

 

        "'Todos temos aquele sonho especial quando somos jovens', disse o bispo Kelly.
        Os outros, à mesa, murmuraram, assentiram.
        'Não existe nenhum menino cristão', o bispo continuou, 'que não tenha se perguntado em uma noite dessas: eu sou Ele? E esta é a Segunda Vinda, afinal de contas, e eu sou Ela? E se, e se, ah, Deus meu, e se eu fosse Jesus? Que grandioso!'
        Os sacerdotes, os ministros e o único rabino solitário riram delicadamente, lembrando-se de coisas de suas próprias infâncias, seus próprios sonhos desvairados e de como eram grandes tolos."*
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         Não é tolice, são quatro errantes em signo de fogo acendendo o entusiasmo do temperamento colérico. O Sol, Mercúrio, Marte e hoje a Lua em Leão, que fará um trígono exato com Mercúrio em Sagitário — ele doido por um desvario, a um passo da combustão, ela Deus.
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         A gente acende uma fogueira ou liga o forno a 451°F. Coloca ali toda a biblioteca de vegetais: batata doce, inhame, uma pequena cabotiá vai bem. Eu até um coco coloquei e ficou bem legal num curry e no feijão. E é essa a ideia, isolar o vegetal do seu habitat natural para conhecê-lo, como Ray Bradbury fez com a humanidade, tirando a gente até mesmo do nosso planetinha, e descobrindo coisas maravilhosas sobre nós.
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          Considerando que o outro aspecto da Lua é uma quadratura com Vênus em Escorpião, sirva com vinagrete, picles ou uma pimenta ácida! Enfim, algo pungente.


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*O Messias, de Ray Bradbury.


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19 novembro 2020

jornada cáprica

 

                 A Lua tão jovem, nem no quarto crescente chegou e já teve que encarar uma montanha digna de uma heroína. Por sorte seu primeiro encontro desde que entrou em capricórnio foi com Mercúrio que, por sextil, pode ter dado a ela algumas instruções, talvez um presente, como fez com Perseu e outros. Ela precisou quando mais acima encontrou Marte. 


                 Mais à frente o Sol a fez lembrar que é preciso sobreviver, não desperdiçar energia. E ela continua montanha acima. Encontra Júpiter, que já está ali há tanto tempo que parece ter perdido um parafuso. A Lua se pergunta se está num filme do Terry Gilliam, De qualquer forma é bom encontrá-lo.
No grau 27 há várias senhoras colhendo botões de uns arbustos que, dá pra ver bem, nascem nas rachaduras das escarpas. Um trabalho árduo, bem impressionante. A Lua sabe dos assuntos femininos, vê no botão da flor o órgão reprodutor da planta, tem carinho por eles. Segurou a mão da Vênus, mesmo em quadratura.


                 Então ela viu os botões serem salgados e mumificados numa conserva ácida. Frio na espinha. Fechou os olhos, cerrou o punho dentro do bolso para que Vênus não percebesse, sentiu um papelzinho. Era um recorte de jornal já amarelo que Júpiter entregou e ela só guardou. No pequeno papel, lê-se:

"A alcaparreira é um arbusto que se adapta bem em climas quentes, mas também tolera baixas temperaturas. É pouco exigente em relação ao solo, mas não admite encharcamento.
A alcaparra in natura é imprópria para o consumo por ter sabor muito amargo, pois é rica em ácido cáprico.
Seus botões após a colheita, deverão ficar sob luz solar por pelo menos 6 horas, para serem colocados em vinagre de boa qualidade.
Os botões frescos devem passar por um processo de fermentação antes do consumo. Eles podem ser dispostos em camadas preenchidas com sal, em uma solução de vinagre e sal, por pelo menos 20 a 30 dias, para adquirirem seu sabor característico."

                 A Lua passou por tanta coisa nessa subida, encontrou os planetas no signo da fermentação, encontrou o que exalta o Sol, e agora, junto com o deus do sal e a senhora dos venenos, ela olha pra trás e vê que tudo faz sentido.

                 Se você quer final feliz, faz uma busca pelos benefícios da alcaparra e encontrará aos montes.


                 Eu juntei com frutas secas hidratadas em mais vinagre mas compensei com uma cama fofinha de couscous marroquino, pra fazer carinho mesmo, pra Lua entrar em Aquário um pouco mais confortada.

Para comer o céu do mês, dá uma olhada no Catarse do DÔ


16 novembro 2020

Vênus Spica


        Às 16h quem encontra a estrela Spica é a Vênus. Domiciliada. Ah, que bonito. Uma vez, lá lá atrás na vida, ouvi alguém dizer que a cultura nos faz ter mais prazer. Faz a gente reconhecer mais valores.             Aumenta as possibilidades de fruição do que quer que seja.
Esse caminho vai e vem. Quanto a gente não aprende em volta de uma mesa, batendo papo? A comensalidade é muito fertil.
        Hoje praticamente ninguém conseguiria ficar quieto em volta da mesa: a Lua em Sagitário fazendo um trígono com Marte, rá!
        Vamos aproveitar esse fogo todo, essa estrela, e fazer pizza. A massa fina deve ir ao fogo forte por pouco tempo.
        A ideia pra hoje é: cada um inventa pelo menos uma cobertura, assim todo mundo se mexe e exercita o afeto libriano de considerar o outro. Mesmo no fogo, mesmo se trombando na cozinha. Ou melhor, até mesmo por isso!
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        Pra prevenir, coloca bastante pimenta em homenagem aos planetas em Escorpião; azeitonas ou alguma coisa defumada para os em Capricórnio - esses todos a Lua não vê mas estão lá. E, sobretudo, mantenham Marte ocupado!
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        Vai dar tudo certo, a Lua está em Sagitário, no sextil a Vênus-Libra-Spica.


        A partir deste mês farei a tradução g'astrológica dos ciclos de lunação.
        A ideia é a seguinte: envio o texto com as associações entre a comida e as configurações astrológicas do ciclo que começa. Envio também as receitas, pois a ideia é que cada um prepare o prato, e através dos sentidos e do movimento do corpo na cozinha, da memória que os cheiros, sons e sabores trazem. é uma maneira de apreender o que a lunação apresenta como possibilidade. A operação lunar junto com a mercurial.
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        As traduções das lunações funcionarão por assinatura; para conhecer, é só seguir este link


 

11 novembro 2020

Lunação do Escorpião

 

                 Um novo ciclo de lunação terá início na madrugada do dia 14 para o 15, quando a Lua se colocar no mesmo grau em que estará o Sol.
                 Escorpião, onde a Lua tem sua queda.
                 O mapa deste momento mostra que o regente do ascendente Virgem também está perto dos luminares. Marte domiciliado na casa 8!
                 Isso é que é uma lunação de Escorpião, senhoras e senhores!
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                 A discrição é tanta que nem são os próprios luminares que a anunciam e sim Mercúrio, que trará o novo dia refletindo a luz do Sol nascente num ângulo perfeito, um ângulo de posição heliacal.⠀
O ultimo aspecto de Mercúrio até o momento será com a própria Lua. Ela, que trata do povo, do corpo, da nutrição, deixou com o mensageiro algo que ele trará à luz no nascer do dia 15.


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                 A partir deste mês farei a tradução g'astrológica dos ciclos de lunação.
                 A ideia é a seguinte: envio o texto com as associações entre a comida e as configurações astrológicas do ciclo que começa. Envio também as receitas, pois a ideia é que cada um prepare o prato, e através dos sentidos e do movimento do corpo na cozinha, da memória que os cheiros, sons e sabores trazem. é uma maneira de apreender o que a lunação apresenta como possibilidade. A operação lunar junto com a mercurial.
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As traduções das lunações funcionarão por assinatura, dá uma olhada no Catarse do DÔ :)



09 novembro 2020

O cru e o cozido

 

                 

                 Algo dramático acontece no Céu. No segundo plano da cena celeste se dá a oposição exata entre Marte em Áries e Vênus em Libra.
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A natureza e a cultura.
O cru e o cozido.
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                 Aproveito a Lua em Virgem pra puxar a quadrilha bibliográfica. Carlos A. Dória traz a imagem que Lévi-Strauss propôs:
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                 “Entre várias tribos indígenas brasileiras, a mitologia sobre a conquista do fogo e das plantas domesticadas marca a passagem da ‘vida longa’ (a imortalidade) para a ‘vida breve’. Nessa ruptura entre o estado de natureza e a cultura situa-se a culinária."
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A imortalidade do Marte colérico, que é chama mas eterno enquanto dura.
A vida breve da Vênus que exalta Saturno, a consciência dos limites.
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                 "Se não dominamos o fogo e, por extensão, o mundo dos alimentos que levamos à boca, o prazer nos escapa entre os dedos e nos vemos como antagônicos ao mundo natural, como se este se recusasse a nos alimentar. Assim é que a reflexão sobre a culinária e a gastronomia faz parte da compreensão da nossa relação com o mundo exterior, abrindo as portas para a construção da nossa individualidade como um processo interativo com o próprio mundo em que vivemos."
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Carlos Alberto Dória. Estrelas no céu da boca. Ed. Senac.


 


23 outubro 2020

Revolução


                 Os luminares mudam de signo e já se quadram no grau zero dos fixos. O arroz negro Escorpião, contido, yin, feminino, receptivo. O feijão branco Aquário, masculino, yang, sanguíneo. Ambos densos, ambos ancestrais. Escorpião e Aquário fazem quadratura mas se encontram pela passagem secreta da antísica; dizem até que eles se encontram para conspirar contra quem detém o poder. Arroz e feijão juntos se completam nutricionalmente - e portanto afetivamente. As combinações muito tradicionais de diversas culturas costumam ser entre ingredientes que se ajudam nutricionalmente. Essa inteligência que a gente não vê. O corpo percebe. E fixa.
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                 As quadraturas vêm na forma, não no conteúdo: feijão por baixo ou feijão em cima?
Enquanto a gente fica lutando pra mudar só a aparência das coisas, nada muda de verdade.
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                 Logo iremos novamente às urnas, que saibamos escolher. Somado a isso, precisamos ter o sangue frio para olhar as tretas internas e trabalhar as próprias mesquinharias. Sem isso, podemos fazer mil revoluções pra mudar algumas formas mas, no fundo, não muda muito. Coragem!
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16 outubro 2020

Lunação de Libra conjunta a estrela fixa Spica


                  A Spica constelada no céu lembra que a excelência é uma busca e um esforço. Os processos devem ser repetidos, analisados e melhorados. Lembra o respeito aos ciclos: literal ou metaforicamente você deve preparar o solo; só então você pode semear. Certamente você deve acompanhar todo o desenvolvimento da planta, não deixá-la ao léu! Quando chegar o momento você deve colher o grão, mais uma vez selecionar o grão, separar o será semente para o próximo ciclo, secar outra parte; este grão, seco, você deve reidratar, deixá-lo esparramado em uma camada uniforme e bem arejada para que comece a germinar - isso é malte -, secar o grão de novo, triturar o grão, fermentá-lo com água, obtendo um caldo denso. Ferver esse caldo de modo que evapore apenas a substância muito fina completamente livre de resíduos. Recuperar esse vapor angelical fazendo-o condensar em uma tubulação, que desemboca em um barril, coletando assim apenas o espírito do caldo, a água da vida. A que faz arder.       

                 Agora sim, saindo do alambique vai descansar e maturar. A cor e os sabores da bebida final não vêm do espírito e sim do contato com o corpo do barril das condições de temperatura e umidade. É com história e cicatriz, e com Tempo, claro, que o espírito se faz uísque.
Você toma o primeiro gole: tsss! O álcool ativa os receptores de dor da sua língua. Os receptores te avisam: isso é veneno!
                 O que você faz? Olha de frente pra Marte, de quadra pra Saturno e Jupiter, e toma o segundo. Também somos maturados em contatos, ciclos e cicatrizes.⠀⠀⠀⠀⠀⠀


06 outubro 2020

A raposa e a cegonha. O inferno são os outros

 


                 A Lua chega em Gêmeos e faz um trígono com o Sol. Os dois olhos do Céu sobre o Outro, este habitante da casa 7 de todos os mapas. O que ele faz, pensa e sente estando há tanto tempo entocado? - quer saber a Lua regida por Mercúrio em Escorpião. Ela sabe que de perto ninguém é normal e se coça de curiosidade. Vênus em Virgem também sabe, igualmente disposta por Mercúrio em Escorpião. Em franca quadratura com a Lua, ela lembra que a etiqueta surgiu para que soubéssemos o que esperar uns dos outros, sem grandes sustos.⠀
                 O Sol concorda com a Vênus, o inferno são os outros; sua casa sete está que é só churrascada e gritaria. Ele em queda, sua dispositora em queda. "Tudo há de passar", ele repete com exaltação.

                 Mercúrio se propõe a ler  uma fábula. É pra distrair, ele diz. A raposa e a cegonha. Esopo. "Um dia a raposa convidou a cegonha para jantar. Querendo pregar uma peça na outra, serviu sopa num prato raso. A raposa tomou toda a sua sopa sem o menor problema, mas a pobre cegonha, com seu bico comprido, mal pôde tomar uma gota. Quando foi embora, agradeceu muito a gentileza da raposa e disse que fazia questão de retribuir o jantar no dia seguinte. O jantar veio para a mesa numa jarra alta, de gargalo estreito, onde a cegonha podia beber sem o menor problema. A raposa, amoladíssima, só teve uma saída: lamber as gotinhas de sopa que escorriam pelo lado de fora da jarra."¹

                 O Sol, comovido, se queixa. Why can't we give love one more chance? A Lua entende por trígono, gosta da música, mas ri.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Venus tá com o Sol, cuidar do outro é essencial, mas desconfia das intenções de Mercúrio. Ele tá tirando um sarrinho e/ou tá pregando a discórdia! Orai e vigiai esse trickster, diz Júpiter entre dentes. Hoje é dia de Marte.

1.Fábulas de Esopo. [tradução de Heloísa Jahn]. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1994.
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01 setembro 2020

Somos feitos do mesmo pó das estrelas: Deneb Adige

 

                 À noite a Lua ficha cheiona. Lua cheia em Peixes, da Lunação de Leão.
                 Antes fica conjunta à estrela Deneb Adige. A lua passando por ali carrega símbolos de metamorfose e de sedução. Júpiter irresistível em sua forma de Cisne.
                 A Lua está iluminada pelo Sol em Virgem, e seus dispositores Júpiter e Vênus seguem numa queda de braço onde Júpiter impõe uns bons quilos de melancolia.
Isso dá uma beleza diferente pra imagem do mapa. Quem sabe um espalhar de si mesmo cintilando sem ofuscar.  

                 Portanto para Deneb Adige arrisco chamar de uma masala cintilante-telúrica que tem nela cúrcuma, que se desenvolve sob a terra, e quando colhida mostra um amarelo intenso que e marca tudo tudo tudo o que toca.

 

                 Separa aí (sem misturar o que não for em pó): 

1cc de cominho (de preferência em semente), 

1 cc semente de mostarda, 

1 cc de coentro em pó, 

2cc cúrcuma em pó, 

uma pitada de pimenta caiena, 

1/2 cc de gengibre em pó. 

Quem tiver gengibre fresco, cúrcuma fresca, pimenta fresca é melhor ainda.

                 Tenha um creme pronto (eu hoje vou de lentilha com abobrinha). 

                Em uma frigideira aqueça gordura e coloque ali para tostar as semente de cominho, um tantinho depois as de mostarda. A mostarda estoura como pipoca então tenha à mão uma tampa. Quando os estouros diminuírem, junte as especiarias em pó e/ou as frescas, mexa rapidamente e acrescente ao creme. Salgue e sirva.

                 Essa masala vai bem com todos os cremes. Seu sabor se espalha, e cintila sem ofuscar.


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28 agosto 2020

sede

        "Abri a carta de uma leitora. Ela me perguntava se resolver palavras cruzadas era bom para enriquecer o vocabulário. Não sei; também não sei se vale a pena enriquecer o vocabulário, talvez seja melhor a gente reduzi-lo, usar somente poucas palavras e usá-las muito pouco."*


                 
                Num dia de planetas em signos secos em ant[scia, trígono e exaltações, dia de errante em queda, errante exilado, aqui na Terra só o essencial e ainda assim com parcimônia. Nem a Vênus que está em Câncer escapa da sede.

                 A gente se hidrata. Pepino é tão hidratante que passar uma fatia no rosto é revigorante.

* BRAGA, Rubem. Pequena Antologia do Braga
.
 
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24 agosto 2020

Gumbo

 

                Lua em Escorpião disposta por Marte super forte. Lua em trígono com Vênus em Câncer. GUMBO.

                 Em uma panela esquente 1/4 de xícara de óleo, adicione a mesma quantidade de farinha de trigo, mexendo. Quem faz molho branco já reconhece esse início, o roux. Aqui vamos fazer jus ao nome e deixar o roux ganhar uma corzona. Faça com óleo mesmo, manteiga periga queimar na zona combusta, onde a receita  começa. Isso pode demorar um pouco às vezes parece que demora mais do que realmente demora. A Lua em Escorpião está em queda mas continua úmida e cheia de memórias. À medida em que a farinha vai ganhando cor e mudando os aromas as memórias vêm. Pra mim não foi com muita clareza mas fui percebendo a imagem de pastel, sonho, bolinho de chuva e essas delícias fritas preparadas com farinha de trigo. Como se essa magia proporcionada pela reação de Maillard já não fosse complexa o bastante, juntamos ao roux a Santíssima Trindade: salsão, pimentão e cebola bem picadinhos. Em fogo baixo, pra dar aquela chorada. É a hora de se vingar da cebola que te fez chorar antes. Pode brigar com a Trindade sim porque Marte está em Áries dispondo a Lua.
                 Agora a receita vai saindo da combustão. A trindade libera umidade e aromas frescos e pungentes. Quando os pedacinhos estiverem macios e a cebola translúcida, adicionamos mais uma camada de sabores e perfumes: alho, salsinha e cebolinha. Nessa hora você vê que não tem mais como fugir desse escorpião, e ainda por cima está feliz por estar ali. Olha o trígono com a Vênus. Ela traz o caldo de memórias de legumes, traz uns tomates e uma folha de louro, pois exalta Júpiter. Agora essa maçaroca perfumosa vai se tornar um molho grosso e aveludado, mexa para não empelotar porque com essa Lua periga ficar aquela bolinha de ranço.
                 Ainda como se o sabor não estivesse profundo o bastante, você tempera. Usei um tempero base créole com páprica, caiena, orégano, tomilho. Claro é pegado na pimenta.      

                 Agora Saturno: tempo para engrossar e perfumar até o fundo da sua alma. Quando o molho estiver grosso, acrescente o que você vai realmente morder: pedaços de salsão e pimentão, couve flor, linguiça de feijão frita e, como gumbo quer dizer quiabo, se tiver quiabos bonitos como tem agora, coloca uns pedações. Mais uns minutinhos e sirva com arroz.

 
 

19 agosto 2020

Mercúrio Régulus

 

                 Olha só esse Mercúrio! Em casa, exaltado, livre da combustão. Começa a organizar as ideias. Como é bom sentir-se capaz, pensa enquanto calça suas sandálias de seda. Além de ser sozinho o regente de Virgem, chega  com um pezinho na estrela Régulus, a estrela do Leão. Quem sabe deixar-se retratar linha a linha, fio a fio, pelo a pelo, pelo preciosismo virginiano da Nicole Bustamante.
                 Enquanto teu corpo repousa na pose, a mente não, já sabemos. Pois usa bem esse tempo afinal urge não ser escravo da vaidade. A estrela Régulus, Corleone, Coração do Leão, atenta para a busca da pureza para bem governar. Em virgem o planeta sabe que servir a seu povo é o coração do governo.
                  Mercúrio, te conto que recentemente a Carla Kamalinii mostrou um caminho durante a prática de yoga. Os chakras que são rodas onde se concentra a energia pois nem só de racionalidade vivem as criaturas. O chakra do coração (Anahata) visualizamos no centro do peito, como uma forma de seis lados de um verde bem clarinho como o repolho.
                 Hoje não tenho repolho na geladeira então vamos de couve. Mercúrio mesmo como chatte de Versailles não vai condenar uma pequena gambiarra.

                 "O quarto chakra, o chakra do coração, é o local onde reside nosso Espírito, nosso verdadeiro Eu, que é eternamente puro e não pode ser afetado por nada, como um brilhante diamante escondido dentro de nós que testemunha todas as nossas ações. Após a Realização do Si, nossa atenção se torna pela primeira vez conectada a nosso Espírito e nós gradualmente tomamos consciência disso. Nossas identificações errôneas com nosso ego ou condicionamentos desaparecem e nós começamos a nos identificar com nosso Espírito, que é a nossa verdadeira natureza."

daqui

 

18 agosto 2020

Mercúrio combusto

 

        Mercúrio-Leão combustíssimo ainda no forno do Sol!
        E porque a língua está queimando, o recado é rápido e assertivo: páprica defumada é melhor que fumaça líquida.

        Hoje tem incício de lunação, em trígono com Marte na XII. Melhor pensar antes de falar. Aliás, melhor pensar antes de pensar.

        Lambeijocas picantes

 

15 agosto 2020

Cactus


                 A Lua, em Câncer, tem na sua caminhada a companhia da Vênus xuxuzinha. No sextil de um lado com Sol e Mercúrio em Leão de um lado, e Marte em Áries de outro, na oposição com os grandes em Capricórnio, esses passos são um verdadeiro oásis, ainda que quente, principalmente porque com um pequeno movimento esses sextis se tornam quadratura. Se hidrata nesse cacto!

Sitting here wishing on a cement floor
Just wishing that I had just something you wore
Bloody your hands on a cactus tree
Wipe it on your dress and send it to me

I miss your soup and I miss your bread
And a letter in your writing doesn't mean you're not dead
So spill your breakfast and drip your wine
Just wear that dress when you're dying

CACTUS aqui


13 agosto 2020

Somos feitos do mesmo pó das estrelas: Capella

 

                 Amanhã de manhãzinha a Lua encontra Capella, a estrela fixa que traz a imagem da cornucópia.
 

                 Quando Júpiter nasceu, para que Saturno não o devorasse como fez a seus irmãos, sua mãe o escondeu no monte Egéon aos cuidados dos Curetes e das Ninfas. Sua ama de leite foi "a ninfa", ou, mais canonicamente, "a cabra" Amaltéia, como conta Junito de Souza Brandão.

                 Júpiter, sem noção da sua força, quebrou um dos chifres da cabrinha, que foi transformado na cornucópia, símbolo da abundância.


                 Eu, enquanto pude manter o isolamento, me alimentei basicamente de grãos que secos aguentam bastante tempo na despensa e alimentam super bem. Acho bonito, é Júpiter em Capricónio sendo benéfico na secura e a restrição.
                  Um dia, me esbaldando em frijoles refritos, percebi que poderia ser um bom mingau para o bebê Júpiter no período em que foi mantido escondido. É um preparo encorpado, gordo e generoso, é feijão molinho e manteiga, muito comida de colo. E depois dá um soninho daqueles que nem a notória boa disposição desse pequeno há de resistir. Dizem que quando o bebê chorava seu choro jupiteriano, todos em volta faziam um enorme estardalhaço abafando o som para que Saturno não percebesse. Assim, adivinho um pedido do mundo: não esquece de colocar cominho no preparo para evitar gases no deusinho.
                   Achei fofo pensar que a versão mediterrânea antiga provavelmente seria com favas e manteiga do leite da cabrinha.
                 A nossa versão é essa americana já que aqui estamos. A receita com o sotaque do meu professor jupiteriano lunar Eutímio Gonzalez:

"Um: Passe o feijão cozido no processador ou no liquidificador com toques de pulsar. Não deve ficar liso. Dois: Numa frigideira quente coloque a banha e deixe fundir e aquecer. Três: a seguir, agregue a massa de feijão em colheradas espaçadas, mexendo constantemente para que não queime até ver o fundo da frigideira e que a massa resultante tenha absorvido toda a gordura e 'deslize' com os movimentos da frigideira. Se não for comido em seguida, pare um pouco antes do ponto final ou enrijecerá ao esfriar."

Como "banha" eu sugiro manteiga vegetal. A marca Qualicoco sei que funciona bem.


11 agosto 2020

colher

 

                 A Lua mingua exaltada; em mútua recepção com Vênus que chegou há pouco em Câncer. Minguar com Vênus acarinhando é melhor né? Com tanto fogo lá fora é bom se aninhar e se sentir protegide. No começo da tarde a Lua quadra o Sol. Aguenta. Fica aqui. O corpo é o presente. Faz muito sentido hoje a expressão "dormir de conchinha".

                 "A colher, por sua vez, traz acolhimento e maternalidade; traz a psique do punhado, também muito ancestral, e já era conhecida pelos antigos egípcios. 'Na Idade Média existiam colheres de madeira e também de ouro e prata', conta Joseph Redón. De sopa, de sobremesa, de chá, de café: ela é uma medida. Traz intimidade, e é o prenúncio do vaso. Nela estão todos os nossos sonhos do côncavo. É tratada como fundamental quase sempre e, quase sempre, também não podemos imaginar a cozinha, ou mesmo pensar na comida, sem sua presença – sem a presença firme e certa de uma colher de pau. Ela é típica no sentimento misterioso da mistura e da transformação. Tudo o que se mistura dentro de nós reconhece a presença de uma colher." 

(Gustavo Barcellos)

 

03 agosto 2020

Rubem Braga I


                 Júpiter não se sente bem, segue em queda. Dias atrás viu passar Mercúrio lá do outro lado. Mercúrio tem um quê dele, de Júpiter, pois vai em Câncer, signo de sua exaltação. Júpiter em signo de Saturno, a Lua também em signo de Saturno: dentro desse menino Mercúrio já tem um velho, carregado de memória.

                 Outro moço que também já andava velho era o Rubem Braga. Aos 19 anos era chamado de "o velho Braga". Sol, Mercúrio, Júpiter, Marte e Lote do Espírito em Capricórnio. Não à toa ganhou da Astrolíricas o apelido de Rubem Cabra. Júpiter rege seu Ascendente - Peixes - e portanto é um significador do nativo. Outro significador é Vênus, exaltada e pertinho da Lua. Vênus e Lua em Peixes dispõem e adoçam Saturno em Touro, o senhor de todas essas cabras. Gilberto Freyre, em Assucar, conta que Rubem Braga tinha como doce preferido o de coco. A brancura dos pedaços de coco nadando na calda combinada à textura boa pra caprino ficar mastigando. Muito digno.

                 “Não, senhora; só em doce, assim mesmo misturado com doce de coco” – respondeu aquele menino àquela dramática pergunta de sua velha tia sobre se gostava de abóbora. Essa resposta foi, na época, muito comentada como grave prova de insolência e talvez desagregação moral. Não era. Era uma prova de tolerância, boa vontade, anseio de compreensão; porque a vida é terrível é que o menino não gostava mesmo de abóbora e achava que o único defeito do doce de coco era conter, às vezes, por costume de família, um pouco de abóbora. Estava, entretanto, disposto a superar as próprias convicções em benefício do bem-estar geral. Tinha pudor de que pensassem que ele odiava abóbora; era uma criança no fundo delicada, embora tenha resultado em um homem com freqüência estúpido."

[Rubem Braga, A feira]




23 julho 2020

Vênus em Gêmeos



                 A Lua entrega pra Vênus em Gêmeos um retrato da Vênus, de anos atrás, que Mercúrio mandou pelo sextil. A Vênus se reconhece, fica tocada mas quer deixar isso pra lá. "Já foi, não vamos ficar carregando passado" é a sua primeira reação, mas ela sabe o que esse retrato por quadratura que dizer, afinal ela também está disposta, de certa maneira, por ambos. "O que eles querem dizer é aquela velha ladainha da Virgem, de conhecer o caminho, de avaliar o que foi percorrido, de levar aprendizados. Ela diz que vê os grandes por trígono, que é um momento de dar cada passo com firmeza, de aprender a precisar de menos. Ela tentar dizer isso com austeridade mas tem uma fofura ali que vem do Mercúrio seu dispositor, eu sinto também. Realmente, hoje sou joaninha e não borboleta. Mercúrio, que vê os grandes por oposição e não por trígono como a Lua, não tem uma visão tão monástica como a dela; ele lembra inclusive que dependendo da dimensão de tamanho, a joaninha é um gigante devorador, quase como o Godzilla no habitat dos pulgões. Eu gosto dos dois lados, claro, sou joaninha mas também sou Órion. Sei que a Lua em Virgem tem lá sua razão. Haha. Estou rindo mas é sério. Mercúrio diz que é sério. Não vamos subestimar o que não podemos ver pelo tamanho, que quem derrotou o Órion era um bichinho bem pequeno - que confusão!, por acaso vim parar num livro do Lewis Carroll?? Adoro!

                 Falando nisso - e sei que agora a Lua-virgo mesmo me quadrando vai concordar - vamos alimentar bem nosso Mercúrio. Eu vou naquele livro do Drummond com o Ziraldo, O pipoqueiro da esquina, que dá conta disso tudo e com algumas risadas. A Lua pegou que se chama Zen na Cozinha, da monja Gyoku En. Só com muita paciência mesmo pra descascar tomatinho cereja e colocar cada gergelim no lugar certinho, mas ela tem. Ei, Lua, vou usar esse retrato como marcador de página, tudo bem? As jóias da memória não precisam nem devem ficar em um cofre, né?"

20 julho 2020

Segunda lunação de Câncer



                 Tenho convivido com uma imagem que a Canela da @jornadamaisleve trouxe dia desses e que me impactou de verdade: o grau 28 de Capricórnio, onde está Saturno, é o grau máximo de exaltação de Marte. Por ser Capricórnio signo melancólico, ela trouxe a imagem daquele que forja o metal. Primeiro caçando pedras, quebrando cada uma para conhecer seu interior e as que têm metal são colocadas no calor, e assim se tira o metal da terra.

                 Nesse intervalo me dei conta de que já estava atrasada na colheita da cúrcuma e lá fui. A cúrcuma se desenvolve escondida na terra. Não tão misturada e portanto não é tão árduo o trabalho para separá-la, mas ainda assim ela cresce lá, escondida. Tal qual a segunda lunação de Câncer, em que o encontro entre os luminares acontece na casa 8, uma casa do escondido, já que não faz com o Ascendente um dos graus considerados como aspecto na Astrologia Tradicional.

                 Com a cúrcuma colhida pintei um pão. Não é sempre que a gente tem um Sol fechado em Câncer na casa 8 pra fazer um forno. Um forno duplo, aliás, porque o pão é assado na panela tampada, que funciona como um forno dentro do forno (e isso mantém a umidade apesar do calor).
 
                 Numa lunação assim, que gesta algo que nem a gente sabe o que é, o jeito é aguçar a percepção, e se empenhar. O pão amarelo já prepara também para a entrada dos luminares em Leão.

                 A Saturno, acrescentei também uma pitada de pimenta do reino, as pedrinhas quebradas no pilão. Pode dar uma arranhada na garganta.

                 A Canela observou também que a gente sente urgência demais em coisas que só o Tempo pode entregar, e sugere que nosso trabalho agora é de mineração daquilo que a gente é.

                 Te agradeço muito, Canela