23 janeiro 2020

Sol exilado em Aquário



                 O Sol, luminar colérico, quente e seco. O símbolo do poder centralizado, o que pode impor sua vontade, podendo ser tão quente a ponto de ser maléfico, queimando os planetas que estão perto. Mesmo o Sol tem seu exílio. É em Aquário. O exílio te tira do seu espaço e cheiros e luz habitual, daquele teu umbigo de mundo e você tem que descobrir uma porção de coisas novas, observar o que parecia óbvio. E quase tudo não é óbvio. Se no grupo há expectativa porque há um papel definido no grupo, no exílio não. No exílio há estranhamento, que pode ser intimidador mas também pode ser estimulante. O escritor Edward Said diz que o exílio apresenta condições ideais para o exercício da liberdade.
                 Por isso a berinjela, solanum insanum, o ovo do gênio (do árabe al-bãdinjãnâ), é o Sol em Aquário na mitologia do Dodô. O signo domicílio de ar do escuro Saturno; e realmente, tão sanguínea, absorve temperos e óleos e entrega ao comensal através de uma quantidade absurda de receitas, tradicionalíssimas (fixas) ou novas.
                 Prima solanácea do jiló, pode ter o amargor saturnino de cabra; depende de como é manuseada. Há quem previna deixando uns minutos em sal. Sal é Saturno. Eu gosto de saltear: ar + fogo, ela também gosta.
                 Aqui mesmo, um monte de receitas com berinjela.


Um comentário:

Unknown disse...

Que interessante essa união da gastronomia com astrologia! Gostei das análises!